O câncer tem cura e 70% dos casos poderiam ser evitados com cuidados simples e mudança de hábitos. É o que vai mostrar a campanha de prevenção lançada pelo Hospital do Câncer, de São Paulo, para veiculação nacional. A ação faz parte de programa de difusão do hospital, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os objetivos são desmistificar a doença – marcada no Brasil pela falta de prevenção e pelo diagnóstico tardio – e diminuir a incidência dos tumores mais comuns, entre eles pele, útero, pulmão, mama e próstata. A campanha terá duração mínima de cinco anos, mas pode durar até 2011, já que o contrato prevê renovação para mais seis anos.
O Hospital do Câncer, principal centro de pesquisas, tratamento e ensino sobre a doença na América Latina, deflagrou no início de janeiro uma campanha nacional para ajudar a reverter os alarmantes números do câncer. Em meio à desinformação, mistificação e preconceito, a doença é marcada no País pela falta de prevenção e diagnóstico tardio, característica típica de países subdesenvolvidos. Criada pela agência de publicidade J.W.Thompson, a campanha conta com o apoio das principais empresas de comunicação brasileiras, entre elas Rede Globo, Editora Abril e Folha de São Paulo. Seu objetivo é mostrar a necessidade de radicalizar a prevenção e o diagnóstico precoce para mudar esta realidade.
Atitude Com veiculação prevista até dezembro de 2001, a primeira etapa da campanha criada pela Thompson vai mostrar que os tumores de maior incidência no Brasil (pele, pulmão, útero, mama e próstata) são também os de mais fácil prevenção ou diagnóstico e que a atitude das pessoas diante da doença é fundamental para reverter o quadro do câncer no Brasil. Estatísticas mostram que cerca de 70% dos tumores poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e controle da exposição a fatores de risco como tabaco, álcool, sol e vírus.
Um dos filmes, que leva o título Câncer de Atitude, mostra a essência da campanha. Na primeira cena do comercial, uma bela garota se bronzeia à beira da piscina. Depois de seduzir o olhar do telespectador, surge a legenda Câncer de Vaidade, alertando para os riscos de câncer de pele que a exposição excessiva ao sol podem acarretar. Em outra passagem, um garotinho ao lado da mãe se submete a uma seção de curandeirismo, numa típica cena brasileira. A legenda contrapõe: Câncer de Crendice.
Cigarro ‘‘A campanha fala com todos os espectros da audiência, inclusive com o público que dispõe de informação, mas que, mesmo assim, no dia-a-dia, não assume comportamento preventivo’’, informa Laís Pasqua, diretora de atendimento da Thompson. Do uso do cigarro como elemento de glamour à recusa do exame de toque para detecção de câncer de próstata, os inimigos da prevenção à doença vão sendo atacados. A idéia é passar a mensagem de que câncer não significa mais o fim da vida. A doença pode ser vencida e isso depende basicamente do comportamento das pessoas.
Em países ricos, o diagnóstico precoce é uma regra no combate à doença. Nos EUA, por exemplo, a relação entre o número de casos detectados a cada ano (2,5 milhões) e o número de mortes (550 mil) é de 22%. No Brasil, com 284 mil novos casos e 114 mil mortes por ano, a relação é de 40%.
Em câncer de pele não melanoma, campeão de incidência no país, com mais de 40 mil casos só este ano, o diagnóstico precoce, por exemplo, resulta na cura de quase 100% dos casos. O mesmo ocorre com o câncer de colo do útero, o segundo de maior incidência entre as mulheres, causado pelo Papiloma Vírus (HPV), que pode ser facilmente eliminado quando detectado precocemente com simples exames laboratoriais.
Pesquisas Principal centro de pesquisas sobre a doença e responsável pelo Genoma do Câncer no País ao lado do Instituto Ludwig, o Hospital do Câncer está testando vacinas contra o melanoma (o mais agressivo câncer de pele) e o HPV (vírus causador do câncer de colo de útero). Técnicas avançadas de tratamento para o câncer de pulmão e mama, entre outros, são oferecidas a pessoas de todas as classes sociais (61% dos pacientes vêm pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fundado em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital do Câncer foi a primeira instituição de saúde brasileira especializada no tratamento da doença em adultos e crianças. Tornou-se modelo de ensino e tratamento para todos os centros que vieram depois. Acaba de ser escolhido como Centro Mundial de Câncer de Boca e reconhecido como o maior fornecedor de matéria-prima para o Genoma Mundial do Câncer.
Em quase 50 anos tratou de mais de 300 mil pacientes, a maior parte de baixa renda. Hoje, a cada ano, detecta e trata cerca 5.500 novos casos e realiza mais de 130 mil consultas e 4.700 cirurgias. Os trabalhos são conduzidos por uma equipe multidisciplinar de 200 oncologistas capacitados a tratar os 802 tipos de tumores conhecidos pela medicina.

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