A cena é comum. No restaurante, no carro ou no escritório, ela saca o pequeno cilindro da bolsa e, sem a menor cerimônia, desliza o bastão colorido sobre os lábios. Às vezes, tamanha é a agilidade que o uso do espelho é dispensável. Hábito feminino transmitido de mãe para filha, o ato de passar batom chega a ser tão automático que foge às regras de etiqueta. Mas, afinal, que pecado pode haver na simples intenção de parecer mais bela?
A vaidade justifica a mania que a indústria de cosméticos contribui para eternizar. Com texturas, tonalidades e embalagens diferenciadas, lançadas a cada estação, os batons se tornam cada vez mais atraentes aos olhos femininos. Para as mulheres, resistir é impossível. ‘‘Às vezes, chego a comprar um batom por semana’’, confessa a gerente de uma agência bancária Amélia Nantes, que mistura várias cores até atingir o tom ideal, sempre respeitando a regra: cor de boca para o dia-a-dia e vermelho para a noite.
César Augusto‘‘Quando entro no carro, é automático’’, diz a gerente de banco Amélia Nantes, referindo-se ao hábito de retocar o batomUsando maquiagem completa para trabalhar, Amélia reserva os fins de semana para ficar de cara limpa, mas o batom sempre está presente. ‘‘Ele tira o aspecto de rosto abatido’’, observa. Seus batons ficam em locais estratégicos: ela costuma deixar um no carro, outro na gaveta de sua mesa e três na bolsa. ‘‘Não sou daquelas que comem batom, por isso, não preciso retocar muito. Mas quando entro no carro é automático’’, conta ela, que nas demais situações prefere o espelho do banheiro.
Já a arquiteta Cíntia de Moura Costa, 27 anos, não se intimida. ‘‘Se eu encano que estou sem batom, tiro da bolsa e passo, não importa onde eu esteja. Quer coisa mais idiota do que retocar o batom quando se está trabalhando, sozinha, sem ninguém por perto?’’, pergunta ela, que muitas vezes percebe a falta de cor nos lábios pelo reflexo da tela do computador.
Josué de Carvalho‘‘Se encano que estou sem batom, tiro da bolsa e passo, não importa onde eu estiver’’, diz a arquiteta Cíntia de Moura CostaAdepta de cores pouco convencionais, como roxo e azul, Cíntia tem o hábito de abastecer sua nécessaire ao longo da semana e, quando se dá conta, já tem uns 10 tons diferentes na bolsa. A mania é tanta que são poucos os momentos em que estar sem batom não a incomodam. ‘‘Só quando estou beijando, dormindo, comendo ou tomando banho’’, aponta. Ela considera a maquiagem, de maneira geral, não só uma forma de seduzir, mas de brincar também. ‘‘Por isso, não fico muito presa a convenções’’, justifica.
Para a empresária e apresentadora Desirée Soares, batom é como um acessório: não dá para ficar sem. Embora tenha um ‘‘arsenal’’, com todas as cores possíveis, as neutras são as suas preferidas. ‘‘Só um brilho nos lábios chama mais a atenção para os meus olhos claros’’, observa ela, que não dispensa o batom nem mesmo na piscina. ‘‘É quando os lábios devem estar mais protegidos’’, argumenta. Os tons mais vibrantes ficam reservados para fotos e programas de tevê. Nas festas, abusa dos batons de longa duração que, para ela, são uma ótima idéia. ‘‘Antes, eu tinha a mania de ficar retocando, ia à toalete de hora em hora. Carregava sempre dois tons de batom, pincel e contorno. Agora, posso até levar uma bolsa menor’’, salienta. De acordo com Desirée, o batom é uma expressão da vaidade feminina. ‘‘Já que temos essa arma, que é a boca bonita, vale a pena valorizar’’.Mário CésarPara a empresária e apresentadora Desirée Soares, o batom é uma expressão da vaidade femininaRosângela Vale

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