De A à Z - Desmistificando o português
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Todos dizem que o português é uma das línguas mais difíceis do Planeta. Embora a professora de português Rose Sordi discorde dessa afirmativa, muita gente leva isso a sério. ''Na língua portuguesa temos diversas maneiras de dizer a mesma coisa. Não acho que isso seja difícil, mas sim enriquecedor'', diz.
Encontrar pessoas que não compreendem como o português funciona é normal. Pela dificuldade, tão propalada, muitos nem tentam se aprofundar no domínio da escrita e da leitura. ''Isso acaba atrapalhando em outros setores da vida. Dominar a língua é fundamental para gerir conhecimento em qualquer área, seja matemática ou biologia. Muitas vezes, um aluno não entende certos assuntos porque não consegue compreender o texto que os explica'', afirma a professora de filosofia, Miriam Giro.
Segundo ela, vários fatores colaboram para essa falta de preparo dos alunos, que se estende da faculdade à profissão. ''A família se omite de cobrar e a escola precisa melhorar muito a maneira como ensina o português. O que temos é um problema social. O indivíduo sabe ler e escrever, mas acaba se transformando no que chamamos de analfabeto funcional, porque não consegue entender um texto ou escrever algo que seja compreensível'', explica.
Na tentativa de melhorar o relacionamento que as pessoas têm com a língua escrita, as duas desenvolveram um curso de português voltado para a compreensão da linguagem acadêmica. ''Nós trabalhamos com correção de dissertações e teses de várias áreas e, muitas vezes, os textos não têm nenhuma lógica, nenhuma consistência. As frases não se complementam, não seguem um raciocínio. A intenção do curso é criar nas pessoas a capacidade de empregar a linguagem acadêmica com correção, clareza e objetividade'', diz Rose.
Com aulas de normas da língua padrão, como acentuação, ortografia, pontuação, redação e lógica, as professoras procuram corrigir problemas que começaram ainda na escola primária. ''Os alunos aprendem conteúdos inadequados para o nível deles. Análise sintática, por exemplo, deveria ser ensinada apenas quando a pessoa já possui um bom domínio da língua. A escola ensina regras de gramática e não português com um todo'', comenta.
Apesar de usar o termo linguagem acadêmica, elas garantem que o curso pode ser feito também por pessoas que estão fora das universidades. ''Temos muitos alunos dos cursos de direito e administração, que precisam ler e escrever bem, e outros que vão prestar vestibular ou concurso público. São pessoas que sabem que com bom domínio da linguagem irão se destacar dos outros candidatos'', afirma Miriam.
Serviço O curso é dividido em dois módulos, com 45 e 30 minutos de duração. As turmas têm no máximo 20 alunos e as aulas começam no dia 16 de setembro e irão até 16 de dezembro. Mais informações pelos telefones (43) 3345-0617 ou (43) 3341-8521


