Tatuagens grandes e pequenas, nas mais diferentes partes do corpo, em pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais. A prática de desenhar o corpo, que acompanha a história da humanidade, venceu preconceitos e se popularizou no Brasil e no mundo. Hoje, é possível encontrar tatuagens país afora, seja nas ruas, praias, eventos sociais e até mesmo nos espaços corporativos.
''É impressionante notar o quanto a tatuagem se disseminou. O que antes era associado a grupos mal vistos, como os de carcerários e marinheiros, hoje tem um status positivo na sociedade. É algo que está na 'moda''', afirma o antropólogo e sociólogo Pedro Bodê, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ele ressalta que os primeiros registros de tatuagem no mundo são bastante antigos e estão ligados a diferentes povos e culturas. ''Era uma prática associada principalmente a ordens religiosas, ritos de passagem e algumas já tinham finalidades estéticas'', pontua Bodê, acrescentando que além da pintura corporal, um tipo de tatuagem usado pelos povos antigos era a escarificação (cortes feitos pelo corpo que culminavam em cicatrizes).
Em uma rápida viagem no tempo, verifica-se que após ser introduzida por viajantes e marinheiros do século XVIII, a tatuagem - entre o século XIX e início do XX - passou a ser apropriada por setores marginais, como de presidiários. Na década de 1960, tribos urbanas, como o movimento punk, grupos de motoqueiros e de hippies, também começaram a marcar o corpo com o objetivo de romper regras.
Com o passar dos anos, este conceito foi mudando. ''Na última década, a tatuagem passou por uma grande ascensão, sendo incorporada como algo esteticamento bonito'', ressalta o professor da UFPR.
Na opinião dele, uma das grandes razões que levaram as pessoas a enxergarem a prática de maneira diferenciada foi a mídia. ''A ideia passou a ser divulgada nos meios de comunicação e artistas admirados pelo público começaram a aparecer com tatuagem'', destaca.
A prática começou a ser associada a pessoas famosas e bem-sucedidas. E o que era um símbolo de rebeldia e marginalidade hoje, para muitos, é sinal de 'status' e beleza. ''Teremos uma geração de tatuados'', aponta Bodê, acrescentando que quem está se deixando levar pelo 'modismo' pode se arrepender. ''Uma tendência, ao meu ver, é que novas técnicas para retirada de tatuagem sejam lançadas e outras aprimoradas, pois um grupo de indivíduos vai e já está buscando a remoção das marcas'', opina.
Mas, por enquanto, a demanda não para de crescer e os estúdios de tatuagem estão com as agendas concorridas. Muitos estabelecimentos situam-se em áreas nobres e atraem um público diversificado.
Quebrando barreiras
O tatuador Jonei Fabris, que atua em um estúdio na área central de Londrina, garante que a procura aumentou muito nos últimos anos. ''O preconceito, apesar de ainda existir, diminuiu bastante e a tatuagem já é vista como arte por muitas pessoas'', comemora.
Ele acrescenta que antes o público que frequentava os estúdios era composto em sua grande maioria por adolescentes e jovens. Hoje, no entanto, a realidade é outra. ''A procura cresceu entre os adultos e idosos. A minha avó, já falecida, fez uma tatuagem com 90 anos. Ela tatuou a letra 'A', inicial do meu também falecido avô, Américo'', conta.
Outra mudança, diz o tatuador, é que as mulheres estão fazendo tatuagens maiores e mais ousadas. Além disso, profissionais de diferentes segmentos não têm mais tanto receio de fazer ''desenhos'' pelo corpo. ''Normalmente, os clientes já chegam com a ideia formada. A maioria tatua algo que tem algum significado em sua vida'', afirma.
Com dez tatuagens espalhadas pelo corpo, Fabris - cujos irmãos também são tatuadores - fez a primeira 'tatoo' aos 19 anos e nunca se arrependeu das marcas. ''É minha grande paixão'', observa.
Apesar dos avanços, a sociedade ainda tem resquícios preconceituosos. ''A pessoa muito tatuada causa um certo impacto. Quando chego em determinados lugares, nao tem jeito, as pessoas olham mesmo'', pontua o tatuador, que também atende em São Paulo e Santa Catarina. Os preços cobrados variam de acordo com o trabalho e profissional. ''Nós cobramos por tempo de trabalho. Em média, R$ 200 a hora'', esclarece Fabris.


Imagem ilustrativa da imagem Da rebeldia ao 'status'
O tatuador Jonei Fabris: ''A procura cresceu entre adultos e idosos. A minha avó, já falecida, fez uma tatuagem com 90 anos''
mockup