Curvas do passado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de dezembro de 2000
Angela Raizer Barbosa 
Na fase democrática em que a decoração se encontra hoje, moderno é unir passado e presente. Basta dar uma olhada nas revistas especializadas para encontrar reedições de peças que marcaram a história do design em ambientes contemporâneos. É possível avistar quase todo o século, principalmente a partir dos anos 20, tal é o referencial do design moderno. E nada mais moderno que buscar peças de época, com conceito atual e design sinuoso, para se contrapor a um mobiliário de linhas retas e puras, outra tendência forte na decoração atual. Identificada com as formas arredondadas, uma nova geração de arquitetos busca inspiração no design do passado para criar peças contemporâneas, extremamente confortáveis e de grande apelo visual.
O sentido é o mesmo a síntese do mobiliário contemporâneo segue o conceito do muito reto ou muito curvo. Exemplos deste último são as peças que têm contato direto com corpo, como poltronas, pufes e cadeiras, com formas orgânicas e envolventes, que seduzem o olhar e conquistam ao primeiro contato. Afinal, o corpo não é constituído de angulos retos e quer, acima de tudo, conforto. E não duvide: de tudo o que já foi feito, o que fica mesmo é a beleza e a ergonomia, em reedições que conjugam o desenho original com novos materiais.
Alguns designers e arquitetos que trabalharam com esse traço sinuoso em outras décadas, estão sendo lembrados e reeditados constantemente, como os dinamarqueses Arne Jacobsen e Eero Saarinen, os finlandeses Alvar Aalto e Eero Aarnio, o alemão Vladimir Kagan, o americano George Nelson e até mesmo o brasileiro Oscar Niemeyer (em suas incursões no design de móveis, ele também imprimiu a marca de sua arquitetura ondulada).
Nas criações desses designers, o mobiliário passa de sua livre função para servir de ornamento com a mesma força. No entanto, é preciso cuidado ao colocar nos ambientes residenciais ou comerciais, esse sentido de versatilidade móveis retos misturados aos curvos, em peças avulsas e distintas. A mesa de desenho minimalista se dá as mil maravilhas com as cadeiras sinuosas de Arne Jacobsen, mas é preciso saber dosar essas peças para que possam ser observadas no todo. O espaço que elas geram em volta deve ser tão importante quanto elas. O desenho é bonito, sensual, envolvente, mas exige espaço para mostrá-lo. Não pode ser confinado a um canto qualquer, espremido entre outros móveis. Assim não há design que resista.
Consultoria: Marcos Maia e Gilmar Mazari Terinn Arquitetura


