Currículo incrementado
Rosângela Vale
Quem deseja uma boa colocação no mercado de trabalho está cansado de saber que cursos extras, especializações e fluência em outros idiomas são itens mais que obrigatórios para estar no páreo. Mas para vencer a concorrência é preciso oferecer diferenciais. Uma experiência profissional no exterior pode ser a senha para um cargo especial naquela tão sonhada empresa.
Conseguir um estágio remunerado em outro país é mais fácil do que se imagina. E o que é melhor: paga-se apenas uma taxa inicial, mais os valores da passagem e do seguro internacional obrigatório. As despesas com estadia, alimentação e transporte são pagas com o salário recebido lá. Para participar de programas desse tipo, é preciso ter menos de 30 anos, comprovar através de testes o nível intermediário-avançado de inglês e estar cursando graduação ou pós-graduação.
O Student Travel Bureau (STB) oferece dois tipos de estágios na Califórnia, com duração de quatro a 16 semanas e início em julho e dezembro. No Summer/Winter Jobs, o estudante trabalha em estações de esqui, resorts, parques temáticos, restaurantes ou hotéis ganhando de US$ 5,00 a US$ 10,00 a hora. O custo do programa é de US$ 895,00. Já o Career Oriented Internship é direcionado a áreas específicas, como Marketing, Direito, Engenharia, Saúde, Turismo, Vendas e Desenvolvimento de Software, entre outros. A remuneração é de US$ 10,00 a US$ 20,00 a hora e a taxa de colocação na empresa, de US$ 1.780,00. Em ambos trabalha-se de 35 a 40 horas por semana.
Para se inscrever no programa, o candidato tem que desembolsar US$ 100,00. Se ele quiser que a gente cuide da acomodação, que pode ser feita em hotel, flat ou casa de estudantes, a taxa sobe para US$ 200,00, diz Daniela Negro, da Terra Nova, representante do STB em Londrina. O encaminhamento de todo o processo deve ser feito com dois meses de antecedência. De acordo com ela, a principal vantagem para empresas que empregam estudantes estrangeiros é a troca cultural.
República Tcheca Na Central de Intercâmbio (CI), representante no Brasil da International Association for the Exchange of Student for Technical Experience (IAESTE), há um grande leque de opções de estágios em mais de 40 países. Fundada no Brasil em 1982, a entidade já intercambiou cerca de quatro mil estudantes e só neste ano disponibilizou 400 estágios. A maioria das ofertas é para alunos de Arquitetura e Engenharia, mas também há vagas em Administração de Empresas, Veterinária, Agronomia, Nutrição, Química, Farmácia e Computação, informa Gabriela Costa, proprietária da Central de Intercâmbio em Londrina.
Ela explica que, ao se inscrever, o candidato passa por um processo seletivo e vai somar pontos de acordo com vários critérios. Alguns exemplos: quanto mais fluente na língua estrangeira e mais semestres do curso de graduação (ou pós) tiver concluído, mais pontos ele acumulará. E quanto maior a sua pontuação, maiores serão as chances de conseguir o estágio desejado, já que deve listar 20 opções. Dependendo do resultado, ele pode pegar a primeira ou a última, diz Gabriela, esclarecendo que a pessoa não é obrigada a viajar se não gostar do que lhe for oferecido. Mas nem sempre os candidatos abrem mão de uma oportunidade dessas.
Foi o que aconteceu com Lucas Amabile Lezdkalns, 20 anos, que embarca em agosto para Ostrawa, na República Tcheca, para ser assistente de um professor universitário de software de rede. O estágio era sua 15ª opção na tal lista. A primeira era a Philips, na Alemanha. Mesmo assim, achei que valia a pena. Além da experiência profissional, vou poder conhecer a Europa, entusiasma-se ele, que nunca fez uma viagem internacional e pretende ficar lá por quatro meses.
Remuneração suficiente Segundo Gabriela, o tempo mínimo do estágio é um mês; o máximo, um ano e meio, mas quatro meses é o tempo médio de permanência dos estudantes brasileiros lá fora. A Europa é o principal alvo do programa. Não damos muito enfoque para Estados Unidos e Canadá por causa da demora no visto, justifica ela, observando que a Alemanha é o país que oferece mais estágios, principalmente na área de Engenharia.
O custo total do estágio é de US$ 230,00 (passagem aérea e seguro de saúde não estão incluídos), mais a taxa de inscrição, que até o final de maio custa R$ 30,00. A acomodação é feita em casa de família, no campus da universidade ou em apartamento. Trabalha-se sempre oito horas por dia. Informamos na moeda do país, e não em dólar, quanto a pessoa vai ganhar e gastar lá. É sempre uma quantia suficiente para ela se manter; não dá para ganhar dinheiro, avisa Gabriela.
As inscrições para estágios no próximo ano começam segunda-feira (dia 17) e terminam no final de agosto. O embarque acontece a partir de maio de 2001. Os interessados devem se dirigir ao escritório da CI ou acessar o site www.ci.com.br, onde estão disponíveis todas as informações sobre o assunto. Para quem quer viajar ainda este ano, e preenche todos os pré-requisitos, existem cerca de 40 estágios disponíveis. Mas recomenda-se pressa ao providenciar a documentação para garantir a vaga. O embarque acontece em julho.
Serviço: Central de Intercâmbio (43) 321-0203; STB (43) 323-8745Fazer estágio remunerado no exterior é mais fácil e barato do que se imagina
Lucas Amabile Lezdkalns embarca em agosto para a República Tcheca: estágio na Universidade de Ostrawa na área de software de redeDe acordo com Gabriela Costa, da Central de Intercâmbio, a remuneração dos estágios é suficiente para o estudante se manter. Não dá para ganhar dinheiro, avisa





