O tratamento de crianças com câncer conquistou avanços significativos nos últimos anos. Na década de 70, a cura era alcançada em 50% dos casos. Hoje, o índice subiu para 70%. ‘‘Essa é a média, mas existem alguns tipos de câncer que obtêm resultados ainda maiores que os 70%’’, explica o oncologista pediátrico Luiz Fernando Lopes.
A razão para essa melhora, porém, não pode ser atribuída a um único fator. ‘‘Houve avanços em diversas áreas: no diagnóstico, na quimioterapia, radioterapia e cirurgias’’, lembra ele. O chefe do serviço de oncologia do Instituto do Câncer, Vicente Odone Filho, concorda: ‘‘Não houve uma droga milagrosa ou uma técnica revolucionária, mas, sim, um progresso multidisciplinar, o que permite não só a maior perspectiva de cura, como também menos sofrimento para os pacientes.’’
Diagnóstico precoce associado à combinação precisa de quimioterapia e o uso minucioso da radioterapia são alguns dos itens citados por especialistas. Há, também, a criação de drogas mais potentes para inibir efeitos colaterais de quimioterápicos, como as náuseas fortes. ‘‘Hoje, o número de internações para fazer quimioterapia é infinitamente menor do que há alguns anos’’, afirma Odone Filho.
Esse fenômeno é observado também no tratamento do câncer em adultos. A perspectiva de cura aumentou de forma acentuada, quando se consideram todos os tipos de câncer juntos. Em algumas especialidades, a melhora foi espantosa. É o caso do câncer de testículo. Há alguns anos, 80% dos homens com diagnóstico da doença morriam. Hoje, 95% são curados.
No câncer infantil, Lopes lembra que, há alguns anos, o lema era ‘‘cura a qualquer preço’’. Partindo desse princípio, médicos não hesitavam em, por exemplo, fazer a amputação de um membro atingido pela doença. Hoje isso não ocorre. ‘‘Com a melhora nas condições de tratamento, conseguimos diminuir muito as sequelas’’, afirma o médico.
O progresso no tratamento faz com que, a cada ano, aumente o número de pacientes que estão apenas em observação. No Instituto da Criança, existem atualmente 900 acompanhados, mas não em um centro específico. No Hospital do Câncer, já estão cadastrados no Gepetto mais de 300 pessoas fora de tratamento. A análise de cada paciente é diferenciada. Depende principalmente do tipo de câncer que desenvolveu na infância e do tratamento a que foi submetido. ‘‘Em alguns casos, pacientes usam remédios que aumentam o risco de cardiopatias’’, diz Odone Filho.
Há, ainda, a possibilidade de distúrbios de crescimento ou hormonais. ‘‘É preciso ressaltar que os riscos aumentam, mas isso não quer dizer que todos vão ter problemas’’, diz Lopes. A pesquisa realizada pelo Gepetto é uma amostra. Das 73 jovens avaliadas, 86% estavam em perfeitas condições, 6% não menstruavam e 8% faziam reposição hormonal.(L.F/AE)

mockup