Cultura de preço, mas não de estilo
Professora do curso de Design de Moda da UEL e doutora em Engenharia do Conhecimento, Cleuza Bittencourt Ribas Fornasier explica que no Brasil o "boom" de brechós aconteceu na década de 1970, quando os americanos exportaram roupas da guerra do Vietnã.
Ainda conforme Cleuza, o reaproveitamento de roupas, acessórios, utensílios e móveis está ligado a vários fatores. "Existem pessoas que por formação (artística ou designer, arquitetos) são mais ousadas e sabem misturar e compor estilos. Outras, pela forma de criação possuem preocupação com o meio ambiente. Já outras priorizam o aspecto financeiro e não estético. Portanto, não existe uma ligação, mas várias possibilidades."
Adquirir produtos em brechós ainda gera certas desconfianças em boa parte da população brasileira. Isso acontece, segundo a professora, porque não existe uma cultura de estilo, mas a busca por preços mais baixos. "O preconceito é maior em cidades do interior. Londrina comporta brechós para as classes C e D, por isso estão localizados em zonas de fluxo de pessoas, como o centro da cidade. Uma loja que foi aberta para a classe A e B não obteve sucesso e fechou", afirma a professora.
O foco do público também se difere de cidade para cidade. "Em Londrina os brechós são procurados pelas classes C e D, que querem roupas em bom estado e baratas. Em São Paulo e Curitiba existe um público conhecedor de moda que sabe comprar produtos de segunda mão de qualidade e estilo. Dependendo da criatividade do comprador, escolha estética, qualidade e composição, é possível fazer boas aquisições em brechós", aponta Cleuza. (E.S.)





