Cultura abre portas
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Era uma vez...Os contos de fadas infantis quase sempre começam com estas três palavrinhas e só de escutá-las as crianças já abrem os olhos e colocam a imaginação para voar. Segundo especialistas, a educação vai além de passar valores familiares e incentivar o estudo das disciplinas escolares. As referências culturais interferem na forma como a criança vê o mundo.
A palavra falada, escrita, contada ou cantada é considerada por Sueli Bortolin, docente do mestrado em ciência da informação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), um elemento fundamental para a construção afetiva e cultural da criança. Ela defende que o contato com os livros seja estimulado desde muito cedo. Além da manipulação das páginas e da observação das figuras, Sueli destaca que as histórias devem dar margem para a imaginação da criança. "O autor do livro infantil tem que viver o universo das crianças, ele não pode querer explicar tudo", afirma.
A literatura infantil é uma boa forma de abordar temáticas que nem sempre são fáceis para os adultos. Sueli relata que os contos de fadas geralmente abordam conflitos, emoções e medos, mas o segredo é não se limitar a eles. "Há alguns livros que fazem pensar, outros que brincam com as palavras e aqueles que possuem mais figuras ou mais textos", destaca. De acordo com ela, a criança que lê mais tem a articulação do pensamento mais desenvolvida, bem como a oralidade, a forma de se expressar e o poder imaginativo.
Deixar livros em vários cômodos da casa é uma forma eficiente de incentivar a leitura. "A criança precisa ter fácil acesso aos livros", sugere. Ela acrescenta que ler histórias para a criança estimula a leitura, mas criar histórias também é benéfico. "Pode-se parar a leitura em um determinado ponto e pedir para a criança imaginar o que deve ter acontecido com o personagem. Em uma história criada é interessante pedir para a criança pensar num possível final. Isso estimula a imaginação", comenta. Para Sueli, a formação cultural de uma criança depende da presença de um adulto que brinca e se permite entrar no mundo dela.
Para o professor do departamento de Educação da UEL, Rovilson José da Silva, na formação cultural de uma criança não pode faltar um livro que ela tenha escolhido por vontade própria. Ele explica que a criança passa por várias fases de leitura e a medida que ela cresce as preferências se transformam. "Existem períodos em que elas gostam de animais, de narrativas repetitivas, de aventuras ou histórias mais românticas", salienta, lembrando que na pré-adolescência as temáticas começam a se diferenciar entre os meninos e as meninas.
As variadas linguagens e materiais de leitura enriquecem o processo de formação do leitor. "Não há uma receita para formar um leitor, mas a regra é oferecer livros e momentos em que as crianças possam ouvir histórias e trocar informações sobre o que leram", orienta o professor. Para ele, a leitura é um dos mais importantes fatores do aspecto cultural na formação de uma criança, por isso à medida que a criança cresce, o adulto precisa continuar oferecendo livros, mas ainda assim nem todas vão continuar buscando livros depois de adultas. "Este hábito também depende de características individuais", salienta.

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