Culpado ou inocente?
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sexta-feira, 23 de novembro de 2001
Celso Mattos 
Uma Consulta Pública veiculada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no dia 4 de setembro, acendeu uma discussão sobre o uso do solvente percloro-etileno, composto orgânico usado nas lavagens de roupa a seco. De acordo com essa Consulta, de número 78, e segundo a International Agency for Research on Cancer (IARC), órgão com sede nos Estados Unidos e reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o percloro-etileno pode causar prejuízos à saúde e ao meio ambiente.
A Anvisa deu um prazo de 40 dias, contados a partir do dia 7 deste mês, para que empresas que usam o solvente enviem propostas e sugestões para resolver o problema. Na opinião de Rui Torres, vice-presidente da Associação Brasileira de Limpeza a Seco (Abraseco), com sede em São Paulo, a entidade já enviou proposta à Anvisa para regulamentar o uso do solvente percloro-etileno. ''Nós somos os maiores interessados nessa questão'', afirma.
Ele ressalta que nas lavandeiras a seco, o solvente só deve ser usado em circuito fechado, para não representar riscos à saúde dos funcionários e dos clientes. ''Todas as lavanderias filiadas à Abraseco obedecem a esse critério de segurança. Entretanto, não podemos responder por aquelas que não são associadas à entidade. Por isso, nosso interesse em que a Anvisa regulamente definitivamente o uso do produto'', destaca Rui Torres.
Redução De acordo com a Consulta Pública da Anvisa, o percloro-etileno também é utilizado em tinturarias têxteis, desengraxantes de metais e fábricas de borracha laminada. ''Esse solvente é largamente usado no mundo todo, inclusive na Alemanha, que é considerado um dos países mais rigorosos em termos de controle de produtos químicos'', informa Rui Torres. Ele acrescenta que o percloro-etileno não é inflamável, tem baixa toxidade nos seres humanos e não tem efeito cumulativo sobre a camada de ozônio.
O vice-presidente da Abraseco diz ainda que não há evidências de que o percloro-etileno provoque câncer. ''Nós enviamos à Anvisa estudos científicos do Conselho Americano de Saúde, do Instituto de Proteção do Consumidor e Saúde e da Agência Governamental de Saúde do Canadá, mostrando que não existe nada comprovado a esse respeito'', observa.
Ele salienta ainda que a Abraseco já formou um grupo de estudos para colaborar com a Anvisa na regulamentação do uso de percloro-etileno nas lavanderias a seco e também nas demais empresas que usam o solvente. ''Ele deve ser usado apenas em circuito fechado e os resíduos devem ser reciclados para não prejudicar o meio ambiente'', defende Rui Torres.
O vice-presidente da Abraseco destaca que está existindo uma redução no uso desse produto no mundo. ''Isso se deve ao uso de máquinas de circuito fechado que reciclam o solvente, diminuindo sua utilização''. Quem estiver interessado em obter mais informações sobre a Consulta Pública pode acessar o site da Anvisa (www.anvisa.gov.br).n


