Culinária - Mistura brasileira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de abril de 1997
Jossânia Navolar 
Nos recheios de peixes e carnes, a farofa é quase obrigatóriaChurrasco, peru, pernil, frango e até peixe ganham beleza e sabor especiais de acordo com os seus acompanhamentos. E mesmo em festas mais sofisticadas, não há como dispensar uma farofa ou pirão, no caso do prato principal ser um peixe ou qualquer fruto do mar. O pirão também é uma farofa, a diferença está na origem (tupi) e na definição específica. Ele é definido como uma papa grossa de farinha de mandioca escaldada, embora também ganhe ingredientes e aspectos diferentes, dependendo da região. Não importa, o fato é que molhada, seca, gelada, salgada ou doce, a farofa é um prato versátil, podendo variar entre o mais simples e o mais sofisticado dos menus. Basta um pouquinho de criatividade.
A farofa deriva do quimbundo falofa (língua dos indígenas bantos de Angola), e quer dizer, entre outros significados, farinha comestível torrada ou escaldada com manteiga ou gordura, e às vezes misturada com ovos, azeitonas, carne, entre outros ingredientes.
O segredo desse prato, para muitas arte-culinaristas e donas de casa, está nas escolhas dos ingredientes e na forma de dourar e refogar as misturas. Segundo a arte-culinarista Teresa Cristina Camargo, nas farofas em que vai farinha de rosca, o ideal é que essa farinha seja fresca, podendo ser preparada em casa. Basta colocar fatias de pão torrado dentro de um saco plástico, fechar bem e esmigalhar com o rolo de macarrão. Depois, é só peneirar. Em algumas receitas, a farinha de rosca é indispensável, dando um sabor todo especial ao ser misturada com outros ingredientes.
A presença de ovos cozidos ou ovos fritos nas receitas também vai depender do prato e do gosto de cada um. Os ovos fritos mexidos ajudam quando se quer uma farofa mais molhada. Nesse caso, só os ovos com a farinha já representam uma excelente opção.


