Todas as famílias que já tiveram um parente em fase terminal sabem o quanto isso é desgastante e dolorido. Há tempo, os profissionais de saúde vêm desenvolvendo mecanismos para amenizar tanto o sofrimento do paciente quanto da família. Recentemente, foi criado no Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Estadual de Londrina, o Palliare – Núcleo de Estudos em Cuidados Paliativos, que visa oferecer suporte à família e melhor qualidade de vida ao paciente.
O Núcleo tem como presidente o médico Luís Fernando Rodrigues, especialista em medicina paliativa e diretor clínico do Hospital da Zona Norte. A vice-presidente é a professora Inês Gimenes Rodrigues, do Departamento de Enfermagem, da Centro de Ciências da Saúde/UEL, que também é especialista em cuidados paliativos. Luís Fernando observa que quando a doença não responde mais à terapêutica curativa e o paciente é levado para casa, é preciso preparar a família para lidar com a situação de terminalidade.
Segundo ele, isso precisa ser feito com o suporte de uma equipe multiprofissional, envolvendo médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, fisioterapeuta e um assistente religioso. ‘‘O objetivo dos cuidados paliativos não é abreviar a vida e nem prolongá-la, mas ajudar a família e o paciente a entender a morte como um processo natural quando a medicina já não pode mais salvá-lo’’, esclarece Luís Fernando.
Resgate familiar A professora Inês Gimenes diz que, nesse caso, o papel da família é cuidar do paciente dando conforto e amor. ‘‘Em casa, o paciente é respeitado em sua individualidade, em suas suas crenças e hábitos. Isso é fundamental para que ele possa fazer, inclusive, um resgate familiar. Pedir perdão por alguma coisa ou até revelar segredos’’.
Ela ressalta que é importante que o paciente saiba de sua situação clínica. ‘‘Geralmente, a tendência da família é esconder o diagnóstico quando se trata de uma doença grave como, por exemplo, o câncer. Mas isso só traz mais angústia e solidão ao paciente que, às vezes, quer falar sobre sua condição, mas não encontra um canal de comunicação. Em muitos casos, ele sequer sabe exatamente qual é seu problema. O ideal é encarar a doença de frente e permitir à pessoa viver seus últimos meses ou dias de vida com dignidade’’, defende a enfermeira Inês Gimenes.
O médico Luís Fernando acrescenta que para agir corretamente a família precisa ser esclarecida e treinada por uma equipe multiprofissional. ‘‘Os profissionais de saúde se preocupam muito com o paciente enquanto ele está dentro do hospital. Entretanto, em caso de doenças graves como câncer, aids, esclerose múltipla, entre outras, é preciso ter um canal de comunicação entre hospital e família. A assistência social do hospital precisa saber quem vai cuidar deste paciente em casa e orientá-lo em todos os sentidos. Não se pode tratar a emoção da família como uma banalidade’’, afirma o médico.
Morfina Luís Fernando esclarece que o fato do paciente se encontrar em fase terminal não significa que a medicina não pode fazer mais nada por ele. ‘‘Um dos princípios dos cuidados paliativos é proporcionar alívio para a dor e controlar os sintomas. Cerca de 90% dos pacientes com câncer sentem dor, sendo que 80% deles respondem bem à terapia analgésica. Um dos objetivos do Núcleo é desmistificar o uso da morfina, como sendo algo que causa dependência e, raramente, provoca depressão respiratória. Mas quando isso ocorre é possível substituir por outro medicamento que tenha a mesma finalidade. Entretanto, a morfina controla a dor e deve ser usada na maioria dos casos’’, afirma.
De acordo com Luís Fernando, no Brasil não há um incentivo em grande escala em cuidados paliativos. ‘‘Existe a Sociedade Brasileira de Cuidados Paliativos, com sede em São Paulo e, em Londrina, o Núcleo de Cuidados Paliativos conta com o apoio do Centro de Ciências da Saúde, da UEL, o que já é um bom começo’’, informa o médico.

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