Quem não gosta de um pastel quentinho, um sanduíche de bacon ou um bolo de chocolate com recheio e cobertura? O sabor destes alimentos conquista muita gente, mas por trás destas delícias há um perigo: o colesterol. A gordura contida em alguns alimentos é responsável por aumentar os níveis de colesterol do organismo e esta alteração está diretamente relacionada ao aparecimento de doenças cardiovasculares. Se há algum tempo pensava-se que o controle do colesterol era uma preocupação de gente grande, hoje esta questão deve ser levada a sério por todos, inclusive pelas crianças.
Estudos apontam que crianças de cinco anos já podem ter estrias gordurosas nas artérias. De acordo com a endocrinopediatra Sandra Maria Marcantonio, a hipercolesterolemia tem um início muito precoce e a melhor maneira de lidar com ela é a prevenção. A médica disse que a doença é muito comum na população e pode ser hereditária. ''Em famílias onde os pais têm colesterol aumentado ou que já possuem uma história de doença arterial ou infarto, as crianças devem ser monitoradas porque têm 50% de chances de desenvolverem o mesmo problema'', afirma. Ela diz que isso explica os casos em que a criança é magra e tem colesterol elevado.
Apesar de muitos casos terem a explicação genética, há crianças que apresentam alteração nos níveis de colesterol por conta da alimentação e do ambiente em que vivem. ''Há casos de famílias que se alimentam bem, mas a criança não aceita legumes, verduras e só come frituras, salgadinhos, bolo'', observa. Sedentarismo e alimentos ricos em gorduras são responsáveis pelo aumento dos níveis de colesterol no sangue.
Em qualquer situação, o tratamento depende de uma mudança no estilo de vida e uma alimentação mais regrada. ''Na maioria das vezes a inclusão de hábitos mais saudáveis apresenta resultado positivo, mas há casos em que é preciso intervir com medicação'', afirma. Segundo ela, os remédios podem ser usados em crianças a partir de oito anos e, em alguns casos especiais, eles são indicados até mesmo antes desta idade.
Sandra relata que em geral as crianças não apresentam nenhum tipo de sintoma quando estão com o colesterol elevado, por isso é difícil convencê-las de que precisam de hábitos mais saudáveis. ''Controlar a alimentação das crianças é um desafio porque o ambiente escolar é complicado neste aspecto. Além disso, eles vão a muitas festinhas, o que também dificulta.''
Como toda doença crônica, manter o colesterol normalizado exige atenção contínua. A médica diz que o problema é considerado degenerativo porque se não for tratado pode desencadear uma doença cardiovascular. ''A atividade física é recomendada porque melhora a função cardiovascular e as condições das artérias. Além disso, a queima de calorias ajuda a manter o peso dentro da normalidade. A obesidade também é um dos fatores de risco para problemas cardiovasculares''. Sandra destaca que a criança não pode ter colesterol aumentado e o combate a este problema é fundamental para uma vida saudável na idade adulta.
Segundo a médica, crianças que vêm de uma família que apresenta hipercolesterolemia e que tem colesterol elevado ainda na infância possui 5% de risco de apresentar uma doença arterial vascular após os 30 anos. Depois dos 40, o risco é de 24%; aos 50, o índice aumenta para 50%; e acima dos 80 anos, chega a 85%.

Imagem ilustrativa da imagem Cuidados com o colesterol devem começar na infância
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Alimentos ricos em gorduras e sedentarismo são responsáveis pelo aumento dos níveis de colesterol no sangue