Cuidados com o bebê
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Pais que trabalham e têm filhos pequenos enfrentam algumas dificuldades. A distância e a falta de tempo para ficar com as crianças são as mais frequentes queixas e também responsáveis por um dos maiores dilemas: com quem deixar os pequenos enquanto os pais estão fora de casa. A opção mais barata e cômoda é ficar na casa da vovó, mas nem toda família dispõe dessa facilidade. O jeito então é optar por uma babá, creche ou berçário, sugestões que sempre geram uma certa insegurança por parte de muitos pais.
Mas há muito com o que se tranquilizar também. Com a revolução que vem acontecendo no sistema de ensino nas últimas decádas, até mesmo os berçários tiveram que se adaptar para oferecer algo mais do que apenas comida e cama para bebês que precisam se separar dos pais durante o dia. De acordo com a psicopedagoga Ana Tereza de Lucca, proprietária do Apoena, a idéia de que os berçários são apenas depósitos de bebês acabou. ''Hoje, além das preocupações normais de alimentar, limpar e cuidar da criança, existe a questão do desenvolvimento infantil. Isso significa brincar com a criança usando objetos próprios para cada idade, para desenvolver a coordenação motora, sensora, a memória e, principalmente, o emocional, com muito carinho'', afirma.
Para isso, os berçários oferecem cada vez mais conforto e atividades diferenciadas para a garotada. No Apoena, por exemplo, as crianças contam com um grande jardim e dois carneirinhos. ''O contato com animais é importante e muitas famílias não têm isso. Os carneiros são supermansos e as crianças adoram brincar com eles'', diz a proprietária Gisele Favoretto. Já na J Piaget, o diferencial são as atividades de música e artes plásticas. ''As crianças muito pequenas não têm aulas de música ou artes, mas brincam com isso. Além de ser divertido, ajuda a desenvolver habilidades importantes para o bebê'', garante a coordenadora e psicopedagoga Claudete de Fátima Lourenço.
A alimentação também faz parte das preocupações dos berçários modernos. A maioria oferece alimentação para as crianças e o cardápio é elaborado por nutricionistas. ''Mas nós respeitamos os hábitos de cada família. Se os pais são vegetarianos, por exemplo, e preferem que a criança não coma carne, nós substituímos por outro alimento. Tudo é decidido junto com os pais'', garante a proprietária do Primeiros Passos, Adriana Bianco. ''As crianças do Berçário I trazem comida de casa. A partir daí, a escola fornece alimentação, mas os pais podem mandar algo de casa se quiserem'', diz Claudete, da J Piaget.
Outra mudança no trabalho dos berçários é a forma de tratar os bebês. De acordo com Ana Tereza, do Apoena, a individualidade de cada criança é respeitada. ''Eles não têm um horário específico para dormir, comer ou tomar banho. As coisas acontecem conforme a vontade de cada criança. Mesmo as trocas de turma acontecem não pela idade exata, mas pelo desenvolvimento delas'', diz. Mas as noções de rotina e horários são passadas quando possível. ''Não obrigamos nada, mas as crianças precisam de rotina em suas vidas. Conforme elas vão crescendo, elas vão aprendendo'', comenta Adriana, da Primeiros Passos.
E tanto cuidado exige dos berçário atenção com os profissionais que trabalham com os pequenos. A Secretaria Municipal de Educação cobra a presença de um profissional que seja reponsável pela instituição, mas a maioria das escolas cobra o curso superior de toda a equipe. ''As mulheres que cuidam das crianças são todas formadas em pedagogia, enfermagem ou psicologia. São pessoas que sabem o que devem fazer e como fazer para que os bebês se desenvolvam e ficam bem'', diz a proprietária da J Piaget, Márcia Rejiane Piotto Kumekao.
O número de funcionários também é outra preocupação. Nos berçários visitados pela Folha da Sexta, cada profissional é responsável por, no máximo, quatro crianças. ''Isso facilita a aproximação e a intimidade com os bebês, além de garantir a segurança. As crianças passam o tempo todo sempre com a mesma pessoa, todos os dias. O banho, por exemplo, é sempre a mesma pessoa quem dá. Também pedimos aos pais para que tragam coisas pessoais, como brinquedos e roupas de cama e banho, para que o berçário seja uma extensão da casa das crianças'', afirma Gisele Favoretto.
Para os pais que estão buscando um lugar para deixar os filhos, Adriana Bianco, dá algumas dicas. ''O lugar precisa ter um espaço ao ar livre, um quarto tranquilo e arejado, com berços individuais para as crianças dormirem, uma cozinha limpa para preparar as mamadeiras e profissionais formados. Também é interessante verificar se o local tem registro, licença sanitária, alvará e se possui o selo de escola legal. Tudo isso garante que o berçário é um lugar adequado para as crianças.''


