Cuidar da saúde dos animais de estimação é também cuidar da saúde da família que convive com eles. Esta é uma afirmativa verdadeira, principalmente quando se fala de cães e gatos que dividem o mesmo espaço que os proprietários. Além de vacinas e vermífugos, quem tem animais em casa precisa ficar atento à pele deles. A maioria das doenças de pele pode ser evitada e algumas podem contaminar humanos, se os devidos cuidados não forem tomados pelos responsáveis.
De acordo com a dermatologista veterinária Eliane Cristina Palaoro Pereira, são três as doenças de pele mais comuns nos atendimentos clínicos. ''Quase diariamente nos deparamos com animais que apresentam dermatofitoses, causadas por fungos, foliculites, causadas por bactérias, e dermatopatias de fundo alérgico'', disse.
Um dos problemas mais frequentes nos consultórios são as sarnas. O que pouca gente sabe é que a mais comum delas - sarna demodécica - é hereditária, ou seja, transmitida do pai ou mãe para o filhote e não apresenta risco para outros animais que entrarem em contato. ''A doença não tem cura, mas tem controle. Estes cães devem ser castrados para que o problema não seja passado adiante'', disse. Por este motivo, a veterinária destaca a importância de ver os pais e a ninhada antes de adquirir um filhote.
Enquanto esta sarna não representa risco para outros animais e pessoas que convivem com o cão, a escabiose é um tipo de sarna que pode trazer outros problemas e precisa ser tratada o quanto antes. Conforme a veterinária, a principal preocupação é com a possível contaminação de pessoas - em especial as que estejam com a imunidade comprometida. Atualmente, há medicamentos que tratam a escabiose no animal e no homem, mas é preciso ficar atento à queda de pelo e coceira do animal para que o tratamento seja iniciado de imediato.
Eliane explica que muitos cães que vivem em apartamentos não teriam contato com esta doença, mas estão sendo contaminados durante o banho e tosa em pet shops. ''Esta é uma doença que pode ser transmitida por outros animais, mas também pelos pentes, toalhas e gaiolas contaminados'', alerta.
Menos banhos
Eliane orienta os clientes para que deem banho em casa nos animais para evitar a contaminação. O excesso de banho, porém, também pode ser motivo para o aparecimento de doenças de pele nos animais. A veterinária argumenta que o banho é um fator mais importante para o proprietário do que para o animal. ''O correto é lavar o cão a cada duas semanas e sempre com shampoo neutro. O excesso (de banho) retira a gordura da pele que é benéfica e protege o animal'', diz. Segundo Eliane, mais importante que o banho é a escovação, que deve ser feita diariamente, principalmente nos animais de pelo longo.
''Durante a escovação, o ar passa entre os pelos, isso é importante para prevenir o aparecimento de doenças e retira a sujeira'', destaca. Há quem goste de passar perfume nos animais após o banho, mas a veterinária desaconselha esta prática. ''Os animais se reconhecem pelo cheiro. Com o perfume eles perdem esta característica tão importante'', justifica.
Problemas causados por fungos são mais comuns nos felinos, segundo Eliane. Ela diz que alguns animais podem ser portadores de doenças, mesmo sem apresentarem sintomas aparentes. ''Um gato não é um cachorro que mia. Ele tem características e necessidades diferentes. Além disso, eles são suscetíveis a intoxicação por medicamentos, por isso não devem ser medicados sem orientação do médico veterinário.''

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