Cuidado com a toxoplasmose
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quinta-feira, 03 de abril de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Aparentemente inofensivo, um bichinho de estimação pode representar verdadeiro perigo. Cães, gatos, papagaios, pombos, coelhos, entre outros, podem ser hospedeiros do toxoplasma gondi, causador da toxoplasmose. A zoonose é transmitida também pela ingestão de carne crua ou malcozida, principalmente de aves e de porco. A doença pode manifestar-se de diferentes formas, sendo mais preocupante quando as vítimas são mulheres gestantes.
Nos três primeiros meses de gestação há um grande risco para o feto. A criança pode nascer com malformação, diminuição da cabeça, alterações cardíacas e neurológicas, deficiência ocular ou surdez, adverte o médico infectologista Marcos Boulos. O avanço da medicina já permite que algumas cirurgias, com o feto ainda no útero materno, diminuam o problema da malformação cardíaca, diz. Conforme Boulos, a mãe também pode vir a abortar o feto.
O coelho ou o gato - principais hospedeiros - eliminam o protozoário através das fezes, entretanto, ele é resistente e encontra condições favoráveis de sobrevivência na água, na grama e nas verduras. O toxoplasma também pode estar presente em animais silvestres, pássaros, ratos e em alguns répteis. Estes servem como hospedeiros intermediários.
O ser humano é infectado pela doença quando ingere alimentos contaminados, água sem ferver ou leite não pasteurizado. A pasteurização tem como objetivo eliminar todo o tipo de agentes infectantes, bactérias, vírus e protozoários. Quando o leite não passa por este processo, pode servir como veículo de contaminação, destaca o veterinário Carlos Alberto Reiter.


