Cuidado com a medicação do seu pet
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quinta-feira, 31 de julho de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
A situação é bastante comum: ao menor sinal de dor de cabeça ou dor de garganta, você já sabe qual medicamento tomar e não recorre ao médico. A automedicação é bastante usual entre os brasileiros e esse hábito se estende também aos animais de estimação. Muitos donos optam por administrar medicamentos aos seus pets, sem saber que isso pode até matá-los.
A médica veterinária do Hospital Veterinário Pró Vita, em Curitiba, Rhéa Cassuli Lima dos Santos, explica que quando se trata do uso de produtos fabricados apenas para o consumo do homem, como analgésicos e afins, os riscos são grandes.
"Os antigripais humanos contêm princípios ativos altamente nocivos e até mesmo tóxicos para cães e gatos. O paracetamol e o diclofenaco, por exemplo, podem levar à falência renal, úlcera gástrica e pancreatite. Muitas vezes, dependendo da dose, podem levar o animalzinho à morte. O diclofenaco é tão nocivo para cães e gatos que até mesmo o contato com pomadas e gel que contêm a substância pode levar a problemas muito sérios."
Rhéa afirma que a falta de conhecimento dos donos pode intoxicar o cachorro ainda mais. Para a especialista, muitas vezes após a intoxicação ocorre vômito, e por medo de ter "perdido" a medicação, ou por achar que o animalzinho está piorando, o dono acaba dando uma nova dose da medicação, o que agrava o quadro ainda mais.
Mesmo o uso de remédios próprios para animais também gera complicações quando não há um veterinário acompanhando todo o processo. A médica veterinária alerta sobre os perigos que os animais correm quando seus donos resolvem usar conselhos de amigos ou mesmo buscas pela internet.
"Além da dose e da frequência da administração serem nocivas se erradas, as medicações têm contraindicações em certos casos. Por exemplo, pacientes com problemas gastrointestinais e doença renal não devem receber certos anti-inflamatórios mesmo que de indicação veterinária. Nem todo medicamento para cães pode ser usado para gatos" conta. Ela ainda aponta que diferentes raças são mais sensíveis a certos medicamentos, podendo levar até mesmo à morte.
Assim como para nós, humanos, o uso de chás e medicamentos caseiros também requer cuidados. Rhéa alerta que esses medicamentos caseiros podem alterar ainda mais a situação do paciente. "Na piora, o responsável procura o médico veterinário, mas muitas vezes não conta sobre o que administrou, pois acredita que por ser caseiro não precisa ser mencionado", revela, explicando que essas informações, quando omitidas, podem dificultar o trabalho do veterinário.



