Cuidado com a incoerência
Cuidado com a incoerência
No Congresso Brasileiro de Hebiatria realizado recentemente em Gramado (RS), diversos especialistas discutiram questões pertinentes à adolescência, como o uso de drogas, a violência, a depressão e o suicídio. A médica pediatra Vera Beltran, de Maringá, participou e conta outros pontos importantes destacados como, por exemplo, a preocupação dos pais pelo fato de os filhos passsarem tempo demais diante do computador e de games. Muitos jovens estão sofrendo de pasmaceira, perdendo a sensibilidade. É importante acompanhar a evolução pela Internet, mas com moderação. O jovem precisa fazer esportes, conviver com gente não virtual, tocar pessoas e sentir o mundo, afirma a médica.
Outro ponto debatido é o estímulo excessivo que certos pais e colégios dão aos jovens para que se transformem em atletas visando uma boa fonte de renda no futuro e suscitando a competitividade. Temos recebido adolescentes na clínica com sérias lesões e perda de cartilagem de crescimento, que não se repõe mais, por praticar esportes exageradamente, diz a médica. Ela ressalta que a prática de esportes é excelente quando equilibrada. É bom para o desenvolvimento, baixa a ansiedade do jovem, mas a competitividade pode ser muito perigosa e gerar agressividade, diz a médica.
Vera Beltran diz que a criança até os 10, 11 anos, aceita melhor os limites porque ainda não fez o confronto com a sociedade. Na adolescência, o jovem sai de casa sozinho, compara pessoas e famílias, analisa o grupo, reflete. É a hora de deixar bem claros os limites. Nessa fase da vida do jovem, todos os problemas de relacionamento familiar vão transparecer na rua, quando ele começa a ser cobrado pela sociedade. Se a criança teve uma educação baseada em diálogo e afeto, e se aprendeu a ser solidário, ela levará isso para a sociedade quando for adolescente. Se aprendeu a odiar, vai odiar a sociedade. Se aprendeu a mentir, vai mentir fora de casa, adverte a pediatra.
Para as mães que sentem dificuldade em estabelecer limites para os filhos, a pediatra sugere que antes de tomar qualquer atitude contem até dez e tenham atitudes honestas. No caso de precisar tirá-los da frente do computador, devem dizer, e nunca ameaçar, que é muito importante evoluir, estar ligado no mundo virtual, mas que isso gera agressividade e pode trazer vários distúrbios.
A pediatra alerta para uma postura muito arriscada que muitos pais assumem e que pode ser prejudicial para o filho. O adolescente é muito sincero, é ético, leal e não consegue ser hipócrita. Já os adultos, para conviver em sociedade, utilizam-se de algumas mentirinhas sociais e assumem algumas posturas incoerentes no modo de ver do filho. Se ele percebe que há incoerência por parte dos pais, acaba ficando desapontado e não segue a regra imposta. Por exemplo: a mãe quer que o filho pare de fumar, mas ela fuma. Quer que a filha emagreça, mas ela mesma come demais e está obesa. Essas discordâncias desmotivam o jovem que precisa obedecer limites, afirma Vera Beltran.(C.A.)





