Loiras que ficam morenas, morenas que ficam ruivas, vovós sem nenhum fio branco na cabeça e cabelos multicoloridos, com mechas de cores variadas. Encontrar uma mulher que nunca tenha tingido os cabelos nos dias de hoje é tarefa árdua. Seja para mudar o tom das madeixas, seja para realçar a cor natural ou esconder os brancos, as tintas de cabelo são produtos fundamentais para o tratamento de beleza da maioria das mulheres.
Mas essa vaidade, para algumas pessoas, tem um preço. Os casos de alergia, apesar de raros, podem acontecer. Segundo a dermatologista Vera Cristina Schnitzler, existe apenas um caso para cada 50 mil aplicações. ''O couro cabeludo é bastante resistente e suporta bem o contato com substâncias como as tinturas. E as alergias podem acontecer, sim, dependendo do tipo de material usado e da predisposição de cada pessoa'', afirma.
O tipo de alergia também não é igual em todos os casos. São caracterizadas como dermatite de contato por irritação e dermatite de contato alérgica. A primeira, de acordo com Vera, pode acontecer com qualquer pessoa e surge de forma imediata, assim que o produto é aplicado. ''Ela depende da concentração e do tempo de exposição à tintura. Logo depois do produto ser aplicado a pele fica irritada. Esse tipo de dermatite é bastante comum em pessoas que lidam com produtos fortes de limpeza'', garante. Já a dermatite alérgica acontece depois da primeira aplicação e depende da predisposição genética de cada um. ''Ela também pode surgir em outros lugares do corpo, como nos olhos ou na pele do rosto'', comenta Vera.
E para qualquer um dos casos de dermatite, o tipo de tintura usada é decisivo para desencadear uma reação. Os médicos dividem os produtos em temporários, semipermanentes e permanentes. Os temporários são as tinturas naturais, tipo henna, os xampus tonalizantes e as tinturas metálicas, usadas para escurecer o cabelo branco. Segundo a dermatologista, esses produtos dificilmente causam alergias, pois são desprovidos de amônia e de água oxigenada. ''A única desvantagem é que as tintas metálicas deixam os cabelos opacos e não podem ser combinadas com outros procedimentos, como alisamentos ou permanentes, e a henna ou xampu tonalizantes saem do cabelo após algumas lavagens e não servem para mudar a cor dos cabelos'', afirma.
As tinturas semipermanentes, ou colorações, também dificilmente causam reações à pele, porque também não possuem amônia. Mas elas possuem água oxigenada na fórmula, o que pode irritar a pele de algumas pessoas. A resistência desses produtos à lavagem é maior, mas a cor também desaparece depois de algum tempo. ''O uso deles é um pouco limitado porque não funcionam para clarear os cabelos, apenas para escurecer'', avisa Vera. A maioria das reações alérgicas acontece com as tinturas chamadas de permanentes, que possuem na sua fórmula amônia, água oxigenada e uma substância chamada PPD, que pode provocar irritação e alergias na pele e no couro cabeludo. Ironicamente, elas são as mais usadas, uma vez que têm o poder de alterar a cor natural dos fios, além de terem uma durabilidade muito superior às demais opções.
Mas se você tentou tingir os cabelos e o couro cabeludo ficou irritado, coçando e com pequenos machucados, não precisa se desesperar. Segundo a dermatologista, cada tipo de tintura e cada cor têm uma composição diferente. ''Muitas vezes basta trocar a marca ou a cor escolhida para a reação alérgica parar. As indústrias melhoraram muito suas fórmulas e sempre é possível encontrar uma tintura que se adapte à pessoa'', garante. E se mesmo assim as irritações continuarem, o ideal é procurar um médico para definir o melhor tratamento. ''Em alguns casos mais sérios, é preciso suspender o uso de tintas e tomar medicamentos próprios para alergias'', diz Vera. n

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