Asma e bronquite se caracterizam, principalmente, pela falta de ar e dificuldade crescente em respirar, mas são doenças distintas. Também é comum confundir esses sintomas com uma simples gripe, geralmente no inverno, quando há mais incidência das doenças respiratórias. A rinite, doença alérgica, também pode ser confundida com gripes e resfriados por causa dos sintomas: coceira nasal intensa, espirros constantes, nariz entupido e coriza hialina (aquosa ou tipo clara de ovo).
Esta é a época do ano em que mesmo as patologias alérgicas, como asma e rinite, aparecem mais, porque também podem ser desencadeadas por viroses. A confusão pode retardar um diagnóstico correto e um tratamento adequado das doenças.
Incidência A asma brônquica é uma doença que acomete cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo, 60% delas crianças. Mesmo assim, a doença pode aparecer em qualquer fase da vida, ou mesmo desaparecer temporariamente, explica o médico alergista Luiz Carlos Bertoni, de Londrina. Ele explica que durante a infância, até os 10 anos de idade, os meninos são mais acometidos pela doença, numa proporção de dois meninos para cada menina. Depois dessa idade, o quadro se inverte. ‘‘Na vida adulta, são as mulheres que mais procuram os consultórios médicos’’, explica.
A diferença básica entre a asma e a bronquite está no modo como os brônquios são atacados. A asma, desencadeada por alérgenos (ácaros, poeira e animais domésticos) ou vírus, provoca a constrição dos brônquios, por onde o ar é conduzido até os alvéolos. A constrição diminui o diâmetro dos brônquios, suas paredes ficam mais espessas e começa a se formar o catarro. É nessa hora que aparece também o famoso ‘‘chiado no peito’’, porque o ar entra e sai parcialmente dos pulmões.
Na bronquite acontece a liberação de catarro de forma abundante, com a infecção dos brônquios por um vírus. A doença pode ter duas manifestações – aguda, e funcionar como gatilho desencadeador da primeira crise de asma, e crônica, mais comum nos adultos e fumantes. No caso dos fumantes, o cigarro também provoca, além do catarro, o aparecimento de enfisemas e cânceres de garganta e pulmões.
Destruição do pulmão O alergista explica que é muito comum as pessoas usarem o termo bronquite mesmo quando o caso é de asma. ‘‘Isso é um mito. Acredita-se que o termo bronquite é mais suave, até porque as pessoas acham que asma não tem cura, o que não é verdade. É justamente o contrário, a bronquite é uma doença mais séria que a asma porque leva à destruição do pulmão. No caso da asma, o pulmão volta ao normal depois da crise’’, comenta.
De acordo com Bertoni, para um bom resultado, o tratamento artialérgico envolve quatro fases: tratamento dos sintomas, das causas, controle dos alérgenos e irritantes, e educação dos alérgicos. Quando o paciente está em crise, os sintomas são minimizados com medicamentos, broncodilatadores e corticosteróides e, quando há infecção, com antibióticos.
No caso da asma, o uso das famosas ‘‘bombinhas’’ e sprays, que contêm corticosteróides, aliviam a falta de ar, mas deve-se evitar seu uso constante. ‘‘O uso só deve ser feito por recomendação médica. A bombinha torna-se perigosa quando o paciente começa a retardar o tratamento das causas’’, explica. O uso prolongado de corticosteróides também pode causar supressão supra-renal, trazendo inchaço no corpo e no rosto, e descalcificação dos ossos.
Vacinas O tratamento das causas da alergia pode ser feito com a imunização através de vacinas antialérgicas. O médico recomenda, no mínimo, um ano de tratamento com vacina, que pode ser prolongado para três. ‘‘Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que, depois de seis anos, 80% dos pacientes que foram vacinados não apresentavam mais os sintomas de alergia’’, disse.
O controle dos alérgenos deve acontecer tanto nas residências como nos locais de trabalho. De acordo com o médico, ácaros e poeira domiciliar representam mais de 90% dos alérgenos responsáveis por crises de asma, detritos de baratas, 25%, e animais domésticos, como cães, gatos e aves, menos de 5%. ‘‘Os os pacientes, ou os pais, no caso de crianças, devem conhecer os fatores que desencadeiam a crise e evitá-los’’, afirma.

mockup