Criando filhos para um mundo melhor
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quinta-feira, 09 de outubro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Educar os filhos para que sejam cidadãos de bem, honestos e que respeitem as diferenças é uma preocupação para a maioria dos pais. Mas como abordar assuntos tão sérios com as crianças desde cedo?
O casal de empresários Luis Henrique Silva e Andréa Pimenta são pais de Alice, de 3,9 anos, e Heitor, de 1,2, e seguem a máxima de que o exemplo é o melhor professor. "Respeitamos as pessoas por serem pessoas, não existe diferença de classe, de raça, de religião, de gênero. Ensinamos que existem indivíduos que são maus, mas pela natureza deles, não por serem de uma religião ou outra, por exemplo", conta ela.
No dia a dia, as crianças convivem com pessoas muito diferentes, o que colabora para que cresçam sem preconceito. Andréa diz que a distinção é feita pelo caráter, não pelas roupas que os outros usam ou pela cor da pele. "A Alice tem amigos negros, índios. Sempre tivemos amigos de todos os tipos, foi natural para as crianças agirem assim também. Elas não têm essa cultura de diferenciação, elas vão pela energia que a pessoa possui", explica a mãe.
Mesmo nas brincadeiras a diversidade é algo comum. Segundo a empresária, a filha tem bonecas representando muitas etnias, com cabelos e cor de pele diferentes. Na pintura, todas as cores estão liberadas e a menina pode colorir as pessoas como quiser. "Pode ser roxo, verde. Não existe essa de 'cor de pele'. Também a deixo livre para escolher seus brinquedos. Ela não ligava muito para as bonecas, agora que está crescendo que começou. Mas não chama a boneca de filha, não forço isso, deixo ela se expressar livremente", diz.
Convivendo com a irmã, o caçula também é livre para brincar com bonecas e panelinhas, o que é encarado com naturalidade pelos pais. Segundo Andrea, quando adulto o menino irá escolher se quer ter filhos e será importante ter o cuidado com o outro. Mesmo que resolva não ser pai, ela destaca que é importante Heitor saber cozinhar, se cuidar sozinho.
"Acreditamos que quando adultos eles vão ser mais bem resolvidos. A Alice já participa de lavar os alimentos, mas isso é ensinado a ela com o mesmo objetivo, não por ser uma menina. Às vezes ela quer se vestir de rosa, em outras quer ser um menino. Ela já quis ser o Charlie Brown, quando conheceu o desenho do Snoopy. Isso não é um problema, ela está em formação, eles brincam com isso. Essa liberdade de ser o que quiser é importante. A criança precisa brincar livremente, não tem que ter uma pessoa dirigindo o tempo inteiro, senão quando adulto não saberá tomar suas decisões", destaca.




