Algo não vai bem na escola com o seu filho. Os professores começam a mandar avisos para casa. As relações de amizade dele com os colegas não são mais as mesmas e, os desentendimentos começam a ser constantes. De repente, ele muda de comportamento sem nenhuma explicação aparente. Fica irritado por pouca coisa, não fala, quer ficar sozinho. Você, no papel de mãe ou pai, preocupado com a situação, já tentou de tudo para ajudá-lo, mas nada adiantou.
Tomar uma decisão sobre quando os filhos necessitam de ajuda psicólogica não é uma tarefa fácil para a maioria dos pais. Irresponsabilidade e culpa são alguns dos sentimentos que pintam nessa hora.
Segundo a psicóloga Fátima Cristina de Souza Comte, doutora em Psicologia Clínica em Londrina, com mais de 20 anos de experiência profissional, algumas características no comportamento das crianças podem ajudar os pais a decidirem o momento certo de procurar a ajuda psicológica. ''Mudança de hábito, timidez ao extremo ou agressividade impulsiva são os principais sinais'', ressalta
Geralmente, os pais têm mais dificuldades para lidar com as reações de agressividade ou com o comportamento anti-social dos filhos. Quando isso acontece, depois de tentarem outras formas de resolver o problema, seja na própria escola ou até mesmo com o médico da família, não vendo resultado, daí sim, os pais procuram ajuda na psicologia.
Como alerta a psicóloga, é importante deixar claro para a criança que ela não é um problema, mas sim, que a família, juntamente com ela, está buscando uma ajuda para tentar resolver a situação de desconforto em que a família se encontra.
O trabalho desenvolvido pelo profissional pretende observar as dificuldades da criança em relação ao mundo que ela vive. É importante conhecer as regras e os conceitos formados por ela. A criança precisa se conhecer melhor. ''Só a partir do autoconhecimento, a criança poderá se tornar mais flexível às mudanças'', diz.
A proposta da psicoterapia não é tornar a criança dependente. Na opinião de Fátima que começou a carreira profissional trabalhando com a psicologia infantil, e hoje muitas das crianças que acompanhou já são mães um dos objetivos do trabalho desenvolvido pelos psicólogos é poder fazer com que as pessoas tenham maior domínio, conheçam seus limites e se tornem mais independentes.
Segundo a psicóloga, os pais devem ter cuidado é com a supervalorização das atitudes normais dos filhos durante a infância. A superproteção pode tornar a criança frágil diante das situações mais simples do dia a dia. Elas precisam ter domínio sobre as coisas para então perderem o medo.''A psicologia deve ser procurada naturalmente e deve ser observada como uma forma de autocontrole, autoconhecimento e autogoverno, mesmo na infância'', afirma.

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