Segundo um estudo realizado com mais de 22 mil crianças, provenientes de oito países e divulgado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, os pais fumantes comprometem, sim, as funções respiratórias de seus filhos, tornando-se um problema de saúde pública.
  A pesquisa revelou que entre 31% e 40% dos filhos de mães que continuaram fumando durante a gestação apresentaram funções pulmonares mais pobres do que os nascidos de mães não-fumantes. E que entre 24% e 27% de crianças expostas em seus primeiros anos de vida à fumaça do cigarro apresentavam problemas respiratórios.
  Para o cirurgião torácico do Hospital Paulistano, Miguel Tedde, os resultados da pesquisa americana refletem a necessidade de uma campanha maciça de esclarecimento à população sobre os riscos à saúde que o fumo representa.
  ‘‘Como se não bastassem os riscos assumidos pelo próprio dependente de tabaco, os fumantes passivos também são atingidos em seu direito à saúde. Principalmente as crianças, já que desde pequenas podem apresentar maior propensão a manifestações de asma, bronquite, pneumonia e infecções no ouvido’’, diz o cirurgião.
  O agravante, no caso das crianças, é que quando vêem seus pais fumando, passam a encarar o ato de fumar como algo normal. ‘‘Se meu pai fuma, eu também vou poder fumar’’, pensam. Somam-se, assim, os danos orgânicos provocados pelo cigarro a um condicionamento psicológico altamente maléfico, que é o primeiro passo para se criar um novo fumante.
  ‘‘A conscientização dos pais fumantes é urgente. A situação ideal seria que parassem de fumar. Caso não seja possível de imediato, ao menos que garantam, em suas casas e carros, um ambiente livre de fumaça de cigarro. Além disso, evitando fumar na frente dos filhos, contribuem para a formação de uma geração que cultivará hábitos mais saudáveis’’, alerta o médico.

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