Crianças conhecem seus direitos
Reivindicações como a de Mariam Camarani El Kadri não surpreendem a psicóloga Fátima Comte. ''O estatuto da criança, hoje, é trabalhado nas escolas. Portanto, elas têm seus direitos na ponta da língua. E querem da sociedade um tratamento igual ao que os adultos recebem'', diz.
Fátima observa que, atualmente, a criança está cada vez mais integrada ao mundo dos adultos, portanto, tem uma percepção maior das coisas. ''Os pais acabam estimulando isso ao dizer ao filho que é preciso estar atento e não se deixar abusar. Isso acaba levando a criança a perceber quando os seus direitos não estão sendo respeitados''.
Mas, segundo ela, os pequenos não podem achar que vão usufruir de seus direitos de forma gratuita ou no grito. ''É importante saber que precisam lutar por eles, sem agressividade, se posicionando diante das pessoas de um jeito firme, educado e claro'', ensina. A psicóloga recomenda aos pais e educadores que realmente incentivem a garotada a falar sobre seus sentimentos e necessidades. ''Reivindicar direitos é uma etapa natural no desenvolvimento do eu'', afirma.
O que não significa que o adulto deve considerar apenas o ponto de vista do pimpolho mas, sim, levá-lo em conta na hora de tomar decisões. ''Sem perder de vista que não se pode fazer todos os desejos da criança quando se está educando'', adverte a psicóloga.
Fátima aconselha os pais a adotar critérios para que os filhos cresçam tendo noções de direitos e deveres gradualmente. Mas é preciso cuidado para não sobrecarregá-los. ''Pedir para uma criança de 7, 8 anos, cuidar do irmão menor é exigir demais'', diz. A psicóloga não vê problemas em, por exemplo, dar o dinheiro na mão da criança na hora de comprar um brinquedo (desde que antes ela tenha sido orientada) e ficar ao lado, observando. ''Ao interagir com o vendedor, ela estará modelando a independência e a competência pessoal, coisas importantes para a sua vida''. (R.V.)





