Crianças agressivas
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quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Muita gente acha normal criança fazer birra, arranjar encrenca com colegas de escola e brigar com os irmãos. Realmente, tudo isso é normal, natural e aceitável, mas desde que dentro de um limite. A agressividade faz parte da natureza humana. Aprender a controlá-la e direcionar a raiva para outras atividades é algo que deve ser adquirido pelos pequenos e ensinado pelos pais.
A psicanalista londrinense Sonia Saborido Gazziero afirma que deve partir dos pais o exemplo de mostrar aos filhos que o diálogo é a melhor maneira de resolver conflitos. ''Existem muitos casais que são instáveis e grosseiros entre si. Se a criança vê os pais resolvendo seus problemas com agressividade, ela vai aprender a fazê-lo da mesma forma'', comenta. Para isso é necessário que os pais sejam capazes de lidar com suas próprias emoções e lidar com equilíbrio nos momentos de crise. ''Se as crianças demonstram raiva e agressividade, o ideal é que os pais as recriminem de forma calma e firme, sem gritos e tapas. Se a criança grita e esperneia, um ''não'' em tom firme e seguro é melhor do que um tapa, mesmo que ele tenha que ser repetido várias vezes'', ensina.
Diálogo Não que os tapas devam ser abolidos da educação dos filhos. Algumas crianças se irritam tanto com algumas situações, que o diálogo e as palavras não resolvem e não acalmam. Nesses casos, um tapinha pode ser usado como forma de conter a criança. ''Mas os pais precisam saber que o tapa não substitui a conversa, que deve acontecer quando a criança estiver mais calma. A autoridade deve se dar sem o uso da violência, para não dar mau exemplo'', alerta.
Sonia diz que a raiva e a agressividade são instintos naturais do homem primitivo. O homem moderno, devido à necessidade de conviver em sociedade, aprendeu a controlar a raiva e a suportar frustrações. Ao nascer, a criança é como um homem primitivo, com todas as emoções e instintos característicos. ''Educar crianças é civilizá-las, torná-las humanas, uma vez que a existência não está a serviço dos instintos, estes existem para para servir o indivíduo'', completa.
Um exemplo de como a educação pode ensinar às crianças valores de sociedade, é o comportamento de crianças que viveram sem o apoio dos pais, muitas vezes abandonadas nas ruas. Elas agridem e roubam porque não foram ensinadas que isso é errado, agem por instinto.
''Na verdade, a agressividade e a raiva são fundamentais para o desenvolvimento e a sobrevivência do ser humano'', afirma a psicóloga. Elas são necessárias para crescer, vencer, enfrentar dificuldades. Até mesmo na idade adulta, a agressividade é importante para entrar no mercado de trabalho ou ser promovido no emprego. O cuidado deve ser para quando a criança usa a agressividade como forma de reação às frustrações. ''Isso é natural, mas é uma atitude que deve ir desaparecendo conforme a criança vai crescendo e aprendendo a usar o pensamento e a controlar suas emoções'', comenta.
Termômetro Mas, afinal, quando é que a agressividade das crianças deve preocupar os pais? A idade é um bom termômetro para medir a evolução dos filhos com relação ao auto-controle. Sonia diz que a partir dos seis ou sete anos de idade, a criança já pode trabalhar sua raiva de outras maneiras que não sejam violentas ou agressivas. É claro que existem crianças que sempre serão mais agitadas e impulsivas do que outras, mas a educação dada pelos pais irá ajudá-las a amenizar as reações às suas frustações. ''Se com o passar do tempo a criança continua agressiva, significa que algo na educação não foi bem esclarecido e ensinado. Nesses casos a ajuda de um profissional é importante'', afirma.
Em geral, os meninos são mais agressivos que as meninas, por uma questão de instinto. A violência entre meninos é mais aceita e, às vezes até incentivada, ao contrário do que acontece com as meninas. O fato da criança ter brigado com um colega da escola nem sempre significa que ela tenha problemas de personalidade, afirma Sonia. As brigas entre crianças pequenas são naturais porque elas ainda não sabem discutir uma situação de forma adulta e civilizada. Os pais e professores devem ficar atentos aos abusos de violência para resolver os problemas. ''A criança deve ser capaz de se defender, senão ela será aquela que sempre apanha. Mas os pais devem sempre ensiná-las a tentar resolver as discussões de forma mais civilizada'', finaliza.
Em casa Outra atitude que preocupa muita os pais é a briga entre irmãos, muitas vezes relacionada ao ciúme do irmão mais velho com a chegada de um bebê em casa. Toda criança, quando não tem irmãos, é tratada de maneira especial pelos pais. ''Isso é importante para o bebê e para as crianças de colo na formação de sua auto-estima e auto-confiança, mas com o tempo é preciso impor limites e frustrar a criança em suas vontades, para que ela aprenda a aceitar um ''não''.
A chegada de um irmão toma o lugar de soberania do mais velho e deve ser tratada com cuidado pelos pais. O mais velho deve saber que é amado da mesma maneira de sempre, mas que o bebê precisa de atenções especiais que o mais velho também já recebeu. Durante uma briga entre irmãos, a atitude mais coerente dos pais é, segundo a psicóloga, separar os dois e deixá-los isolados por alguns minutos, para que os ânimos se acalmem. Depois, os pais devem conversar com eles e descobrir o motivo da briga e explicar que eles poderiam resolver a situação de forma mais civilizada. ''Um erro comum dos pais é comparar os filhos e procurar um culpado pela briga. Isso cria problemas entre os irmãos'', alerta. n


