Criança também tem enxaqueca
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quinta-feira, 15 de março de 2012
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Um novo consenso elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aborda os principais aspectos relacionados ao diagnóstico e tratamento da enxaqueca. A mobilização da entidade se deu principalmente porque dados recentes divulgados pela Sociedade Brasileira de Cefaleia mostram que dois milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabeça. A medida se deu em parceria com a empresa Johnson & Johnson.
A pesquisa aponta que as dores de cabeça afetam o público mapeado pela SBP, pelo menos, dez dias por mês. A Sociedade Internacional de Cefaleia (SIC) reconhece mais de 150 tipos diferentes de dores de cabeça, sendo a enxaqueca a principal causa de dor de cabeça recorrente. De acordo com a neuropediatra Eliete Chiconelli Fariado, uma das autoras do capítulo que aborda o tema no consenso, a cefaleia é uma das queixas mais comuns no dia a dia dos neuropediatras. Por isso, segundo ela, é fundamental avaliar detalhadamente o histórico clínico e realizar exames físico geral e neurológico completos para diagnosticar o tipo da dor e a necessidade de investigação, indicando o melhor tratamento para a criança.
''Criança com queixa de dor de cabeça merece a atenção dos pais e deve ser avaliada por um profissional, pois o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz garantem melhor qualidade de vida'', diz Eliete.
Especialistas afirmam que para muitas crianças o sono pode ser suficiente para abortar o quadro doloroso. Além dos analgésicos, o tratamento da enxaqueca consiste também na avaliação dos fatores desencadeantes do problema e de comportamentos relacionados às crises de dor. A médica alerta que a prescrição de profiláticos - medicamentos usados todos os dias para prevenir as crises - deve ser considerada quando há prejuízos no rendimento escolar e nas atividades rotineiras da criança.
Crises
O estudante Lairton Henrique Rosa Júnior, 16 anos, convive com dores de cabeça desde criança. Algumas vezes, as crises são tão fortes que ele precisa ser levado para um hospital para tomar medicamento intravenoso, já que os analgésicos via oral acabam não sendo suficientes para amenizar a dor. Recentemente, após uma crise ainda mais intensa, a família procurou ajuda médica para investigação. ''No momento estamos tratando uma sinusite que, provavelmente, fez com que a dor (de cabeça) fosse muito forte. Mas os médicos dizem que eu tenho enxaqueca, porque minha mãe também tem. Não há muito o que fazer. Quando dói, tenho que tomar remédio. Caso contrário, é muito difícil fazer as atividades da escola'', relata.




