O telefone celular pode ser uma facilidade na comunicação dos pais com os filhos, mas é bom pensar melhor no assunto já que não são apenas os adolescentes que estão pedindo o aparelho: crianças cada vez menores já vão para a escola e para o shopping armados com seus celulares. Será que isso é bom? Para a psicóloga clínica Fátima Conte, é um engano os pais pensarem que podem proteger melhor o filho dando a ele um celular, principalmente se ele tiver menos de 12 anos.
''O celular não substitui a presença de um dos pais ou de um adulto responsável pela criança em determinadas atividades que ela faz. O maior risco é os pais acreditarem nessa possibilidade, pois isso os leva a crer que podem permitir que os filhos façam coisas que, sem celular, não permitiriam. Como, por exemplo, sair sozinho. Será que uma criança menor de 12 anos tem maturidade para atravessar uma avenida ao mesmo tempo em que fala ao celular? Ou administrar quanto deve gastar?'' questiona a psicóloga.
Segundo Fátima Conte, muitos pais dão celular ao filho com menos de 12, 13 anos porque assim ficam mais tranquilos, pois podem falar com ele a qualquer momento e local. ''Isso significa que são os pais que precisam de celular e não o filho. Uma criança com essa idade nunca deve estar em lugar onde os pais não saibam'', afirma.
Quer dizer que uma criança não deve ser presenteada com um celular? ''Dificilmente, pois esse é um recurso da vida adulta e não um brinquedo. A criança não precisa de celular, mas não deve ser privada de usar um. É bom que ela saiba usar o aparelho em caso de emergência'', observa a psicóloga. Fátima Conte argumenta também que as escolas não devem permitir que as crianças levem celular para dentro do colégio. ''O celular não é compatível com as atividades escolares, além disso, as crianças que não possuem o aparelho podem se sentir inferiorizadas'', salienta.
Para os adolescentes, Fátima Conte considera o celular um instrumento que pode facilitar a comunicação. ''Nessa faixa etária, eles começam a sair sozinhos à noite, trocam de lugar e precisam chamar os pais para ir buscá-los. Além disso, os adolescentes gostam e precisam de um pouco de privacidade, mas mesmo assim não acho que seja fundamental'', pondera.
A psicóloga ressalta que os pais não devem usar esse recurso para controlar a vida do filho, até porque isso não funciona. ''Quando ele não quer ser encontrado, o aparelho é desligado, fica tocando em vão ou, providencialmente, fica sem bateria. A prática tem mostrado que o adolescente usa o celular mais para sua comodidade, como na hora de chamar os pais para buscá-lo na festa ou na boate'', observa.
Fátima Conte lembra que quando os pais têm uma relação aberta com os filhos, não precisam usar esse recurso para vigiá-los. ''Se os pais necessitam vasculhar o quarto, a bolsa, a mochila ou as gavetas dos filhos, é porque alguma coisa está errada nessa relação. Isso não quer dizer que os pais não devam estar atentos ao que os filhos estão fazendo, mas não precisam fazer isso às escondidas'', orienta a psicóloga. (C.M.)

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