Crescer exige superar etapas
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
A proximidade e a relação de confiança estabelecida entre os professores do Ensino Fundamental e os alunos é essencial para o aprendizado e para o desenvolvimento das crianças. Nesta fase as crianças, ainda muito pequenas, deixam sua casa e sua família onde se sentem protegidas e seguem para a escola por um período de pelo menos quatro horas e precisam conviver com outras crianças e adultos que não fazem parte do seu círculo familiar. Para que o aluno se sinta acolhido e seguro é muito importante que a professora responsável desenvolva um vínculo com ele. A mestre em educação e diretora pedagógica do Colégio Universitário, Raquel Calil Ruy, explica que na educação infantil e nos primeiros anos do Ensino Médio, o professor regente passa a ser referência para a criança.
Conforme as crianças vão crescendo e superando etapas, mais professores são incluídos na rotina escolar, até que chega um momento em que o aluno precisa lidar com vários professores diferentes, um para cada matéria da grade curricular. Para que esta mudança não seja brusca, a maioria dos colégios opta por incluir novos professores aos poucos na convivência dos alunos. "A mudança no sexto ano antiga quinta série - é muito grande, eles passam a ter seis professores, por isso já incluímos alguns professores no quinto ano para que as crianças comecem a se acostumar com esta dinâmica", explica Raquel. "Para as crianças do primeiro ao terceiro ano, há uma professora regente, mas elas também têm aulas com professores específicos para as disciplinas de música, inglês e educação física", complementa.
O desafio do aluno não se restringe à convivência com mais professores, mas inclui a administração dos materiais que as diferentes disciplinas exigem. Por este motivo Raquel salienta que o apoio da família é muito importante. "Quando chega em casa, a criança tem de olhar a agenda, ver o horário do dia seguinte e já deixar a mochila pronta, assim a criança passa a ter senso de organização", destaca.
Trabalhar a autonomia
No Colégio Mãe de Deus, os alunos que chegam ao sexto ano recebem apoio da escola e das famílias para mostrarem que estão crescendo. "No início as crianças precisam de muita ajuda para lidar com a inclusão de novos professores e disciplinas, mas aproveitamos para trabalhar com elas a questão da autonomia na solução das dificuldades", explica Carla Rocco, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental II. Nessa fase, conforme ela, os alunos fazem uma relação muito direta entre o gostar e o aprender, por isso é importante que os professores mantenham o vínculo com as turmas e para isso as aulas passam a ser mais dinâmicas.
Carla lembra que o período marca também a passagem dos alunos para outras mudanças: emocionais, físicas, além de lidar com conflitos por conta da proximidade da adolescência. Por isso é fundamental que a escola e a família ofereçam apoio às crianças que apresentam mais dificuldades. "Eles precisam ser auxiliados no sentido de se sentirem seguros e terem autonomia para buscarem soluções para suas próprias dificuldades. Na medida que alguém sempre resolve os problemas, as crianças ficam numa zona de conforto e não buscam soluções por conta própria", complementa. Uma das questões vividas pelos alunos nessa fase é o fato de serem os maiores do pátio no horário do intervalo, quando estão no quinto ano, e passarem a ser os menores em relação às outras turmas quando entram no sexto ano. "São mudanças que mexem com eles, mas na medida que os dias vão passando eles percebem que não é tão complicado lidar com isso", destaca a coordenadora.

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