O cabelo estilo joãozi­nho ganhou popularidade internacional na década de 60, ao ser adotado pela atriz Mia Farrow. Recentemente, o corte voltou a ser hit ao fazer a cabeça de famosas ao redor do mundo. Entre elas, as atrizes Mia Wasikowska - a Alice do filme "Alice no País das Maravilhas", e Carey Mulligan, de "Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme". Ambas tinham longas madeixas e surpreen­deram o público pela ousadia sem aviso prévio.
Para especialistas, o corte é atemporal e, normalmente, reflete a personalidade da mulher. "Ele volta com mais força em alguns períodos, como agora", diz o cabeleireiro Enzo Junior, do Theo Carías.
Se celebridades internacio­nais causaram frisson optando pelo clássico, por aqui é a atriz Guilhermina Guinle, com sua releitura moderna do joãozinho, o alvo mais frequente de ins­piração nos salões de beleza.
A atriz, no ar em "Ti-ti-ti" como a descolada Luiza, já estava habituada à nuca descoberta há alguns anos. Mas foi pelas mãos do cabeleireiro Wanderlei Nunes, do Studio W, que Guilhermina tornou-se dona de um dos looks mais comentados entre os teles­pectadores da novela.
O curtinho da atriz - na cor classificada como ''louro cinza escuro'', com mechas largas e douradas - apareceu em quinto lugar como o mais pedido no Top 10 da Central de Atendimento da Globo no mês passado. Wanderlei Nunes conta que o cabelo de Guilhermina, raspado por baixo, é "meio anos 1980", inspirado no new wave. ''Possui bastante mobilidade e vai do clássico ao ousado, depende de como é arrumado. Posso fazer uma franja rockabilly ou Twiggy que fica ótimo'', garante.

Cadê a coragem?
As brasileiras aprovam esse tipo de corte quando veem uma personalidade adotá-lo, mas falta-lhes coragem para fazer o mesmo, revelam os especialistas. "É que, para elas, a sensualidade e a feminilidade ainda estão muito ligadas ao compri­mento de cabelo. Mas, geralmente, quem corta uma vez, acaba mantendo o tamanho'', analisa Enzo Junior.
Para o cabeleireiro Guto Ferraz, da equipe C. Kamura, as brasileiras estão começando a gostar dos mais curtos. Mas ainda estão longe de adotar o curtíssimo joãozinho. "Aos poucos, os cabelos por aqui estão encurtando. As mulheres estão começando a se acostumar com os fios na altura dos ombros'', afirma Ferraz.
Uma pena, opinam os especialistas. Segundo eles, o corte joãozinho é a cara do Brasil: fresco, prático e versátil. Além disso, é tão feminino quanto o longo. "Basta mudar a forma de pentear para se obter um look exótico ou mesmo clássico", sugere o cabeleireiro do C. Kamura.

Quem pode?
Todas as mulheres podem adotar o curtíssimo, afirmam os cabeleireiros ouvidos pela reportagem. Enzo Junior explica que o joãozinho cai bem em todos os tipos de rosto e cabelo, mas as características de cada pessoa vão pedir estilos dife­rentes. "Por exemplo, para aquelas que têm uma testa grande, faço uma franja. Já nos rostos redondos, deixo o cabelo mais cheio embaixo", esclarece.
Wanderlei Nunes indica o corte especialmente para as mu­lheres com rostos miúdos e cabelos lisos, com fios finos ou grossos.

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