Cortando o 'cordão umbilical' sem traumas
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Elaine Souza<br>Reportagem Local 
Conquistar uma vaga no tão sonhado curso também é resultado de vida nova para os jovens. Muitos estudantes sonham e se planejam para este momento, seja pela necessidade de cursar uma universidade que tenha o curso escolhido, seja pela nova experiência e a sensação de liberdade que isso traz.
Do outro lado, pais sentem o distanciamento, já sabendo que essa saída implica em muitas obrigações e responsabilidades. Este 'rompimento', segundo a psicóloga Paula Cordeiro, é um processo de transição na vida da família toda, por isso, recomenda ela, é interessante que pais e filhos tentem passar por isso da forma mais sutil possível.
"A primeira coisa que não podemos esquecer é que cada caso é um caso. Quando falamos em relações não há uma receita pronta para nenhuma situação. Talvez alguns prefiram fazer de uma vez, outros prefiram que os pais fiquem algum tempo na cidade nova. Isso depende muito do tipo de relação familiar e da história de vida das pessoas que a compõem", considera ela.
Segundo Paula, o principal ponto para que ambas as partes não sofram tanto com esta desestruturação, é tentar abrir um bom diálogo sobre as expectativas do jovem que está saindo e dos pais, que ficam. É importante, ressalta ela, lembrar que nem sempre o processo é fácil e divertido, e que não há problema em admitir fraquezas.
O distanciamento causado pela nova fase fica ainda mais difícil para pais tidos como super protetores, que em muitos casos acreditam que os filhos não estejam prontos para terem tantas responsabilidades. Nestas situações, indica a psicóloga, é preciso ponderar que nesta fase dos filhos a ajuda precisa ser de uma forma diferente.
"Os pais não estarão presentes o tempo todo, e por isso podem dar algumas instruções para facilitar a vida dos jovens. Você pode amarrar o cadarço do sapato de uma criança mil vezes, mas se ela nunca tentar não vai conseguir fazer sozinha. Este é um exemplo simples de muitas situações da vida. Ao sair de casa o jovem vai se deparar com inúmeras coisas que não saberá fazer tão bem quanto seus pais, mas precisará tentar."
E se medos e preocupações costumam rondar ainda com mais força pais e mães neste período, Paula alerta para que esses receios se mantenham o mais perto da realidade possível.
"Às vezes, a imaginação vai longe e começamos a nos preocupar com coisas que podem acontecer. Isso é muito perigoso, pois se pararmos para pensar, estamos realmente sujeitos a riscos. Então é melhor tentarmos manter nossos medos e preocupações ligados a estímulos da realidade e não ficarmos nos torturando com hipóteses", recomenda.


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