Corpo estranho
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quinta-feira, 06 de maio de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Todo mundo diz que ter um filho muda tudo na vida de uma mulher. E muda mesmo. Não só a rotina se altera em função da chegada de um bebê, mas a maneira como a mulher vê a vida e age diante de certas situações também. Só que as mudanças não acontecem apenas depois do nascimento, elas já aparecem logo nos primeiros meses de gestação. E são as mudanças físicas que muitas vezes atormentam as mulheres. O medo de engordar, de ganhar estrias pelo corpo e de ficar com os seios flácidos são as principais preocupações das futuras mamães.
De acordo com a ginecologista e obstetra Núbia Nasser, os hormônios são os grandes responsáveis pelas alterações físicas sofridas nessa fase. ''A produção de hormônios aumenta bastante durante a gravidez e isso altera o funcionamento do restante do organismo'', explica. Ela diz que para entender melhor as mudanças que acontecem no corpo da mulher nesse período, os médicos dividem os nove meses em três períodos, ou trimestres. ''São três fases bastante distintas, onde as alterações são bem parecidas para todas as mulheres. Assim fica mais fácil caracterizar cada época da gestação e suas características'', diz.
Do início ao fim A especialista garante que a produção dos hormônios progesterona e estrogênio é muito acentuada no primeiro trimestre, época de grandes mudanças. ''Nessa fase, os seios aumentam de volume, a mulher começa a perder a cintura, o abdome se projeta e algumas mulheres sentem náuseas. No final dessa fase, a mulher começa a se sentir realmente grávida, graças às transformações físicas'', comenta. As mudanças no corpo não podem ser evitadas e os médicos não sabem explicar ao certo porque algumas mulheres enjoam tanto e outras não sentem nada. Para as que sofrem mais com esse problema, alguns remédios podem ser receitados pelo médico para evitar os enjôos.
Com o início do segundo trimestre, a produção dos hormônios continua mais alta do que o normal, mas menor em relação aos primeiros três meses. Segundo Núbia, é a fase mais tranquila da gravidez. ''Não ocorrem grandes mudanças físicas nessa época, a não ser o aumento da barriga e um pouco de inchaço, mas nada que crie incômodo ou preocupação'', garante.
É depois do sexto mês de gestação, já no terceiro trimestre, que outros problemas começam. Por causa do tamanho da barriga, a mulher começa a sentir dor nas costas e um certo incômodo. ''Para suportar o peso do feto, a coluna altera sua estrutura e isso acaba causando um pouco de dor. O ideal é a mulher controlar o peso para não piorar o problema. É importante se conscientizar que a gravidez não é um período de 'engorda', como muita gente pensa. A mulher precisa apenas de uma alimentação equilibrada'', esclarece a obstetra.
Inchaço e ansiedade Outro cuidado que deve ser tomado desde o final do segundo trimestre é o inchaço, que tende a aumentar nesse período. Ele acontece, segundo a médica, por causa dos hormônios, que retêm líquidos, e deve ser controlado para evitar problemas para a mãe e para o bebê. ''O inchaço é normal, desde que esteja em níveis aceitáveis. Caso ultrapasse o limite, a pressão sanguínea fica muito elevada e pode causar sangramento e deslocamento da placenta, oferecendo risco de vida para o feto e para a mulher'', alerta. Mais uma vez, o controle do peso associado a atividades físicas é fundamental para a tranquilidade da gstante.
Sem dúvida, são as questões psicológicas que causam os maiores dilemas dessa fase. A proximidade do parto traz dúvidas e causa muita ansiedade na mulher e no marido também. ''A maioria das pacientes se preocupa se tudo vai dar certo no parto, se ele vai ser normal ou cesariana, se o feto está saudável. Mas são os homens que se sentem mais inseguros, por saber que terão que cuidar da mulher e agir rápido na hora em que as dores começarem, caso não seja marcada uma cesariana'', conta Núbia. ''No terceiro trimestre, o homem percebe realmente a gravidez, mas ele não tem controle sobre as sensações da mulher e se sente inseguro em relação ao futuro'', acrescenta.
Estética As preocupações com o corpo também começam a apavorar as mulheres nos meses finais de gestação, segundo a especialista. ''As mulheres ficam com medo de não voltar ao corpo que tinham antes da gravidez, do seio ficar muito flácido, da barriga não voltar. Nós temos hoje uma imposição e uma cobrança muito grande sobre a forma física da mulher. Isso acaba tirando da futura mãe o prazer de estar grávida'', comenta. Ela diz que a recuperação da antiga forma varia bastante de mulher para mulher e dos cuidados que foram tomados durante toda a gestação. ''Cremes apropriados ajudam a evitar estrias e facilitam a recuperação da pele. Mas voltar a antiga não é muito fácil, embora algumas mulheres consigam'', comenta.
A médica lembra da necessidade de se dar tempo ao corpo para que ele se recupere. ''Existem mulheres que três meses depois do parto estão fazendo lipoaspiração no abdome. Isso é um absurdo porque é preciso esperar de seis meses a um ano para saber como o corpo irá ficar. A amamentação é importante para a perda de peso e não é responsável pela flacidez dos seios. Ela acontece devido à variação do tamanho natural das mamas durante a gravidez. Com o avanço da medicina estética, é possível recuperar o corpo de antes, mas tudo tem seu tempo. A gravidez é um momento especial na vida da mulher e deve ser curtida'', recomenda. n


