Corpo em mutação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de março de 1998
Celina Alonso Az 
O que é que está acontecendo comigo? Esta pergunta é comum na adolescência quando tudo no corpo do jovem parece estar passando por uma revolução. Nessa fase, o menino alterna períodos de euforia e de insegurança, e, muitas vezes, é vítima de constrangimento. Não deve ser fácil ver os pés e as mãos crescerem mais do que o resto, o rosto cheio de espinhas e a voz engrossar ou afinar nas horas mais impróprias. Os pêlos surgem pelo corpo, e parece que tudo cai das mãos. Na puberdade, o jovem sente-se inadequado, enquanto os adultos, para consolá-lo, costumam dizer que isso é normal. De que forma pode-se amenizar fase tão conturbada de meninos quase homens?
É um período de contradições. Eles se sentem feios, fortes, deselegantes, desproporcionais, as piores pessoas, se deprimem com facilidade e, de repente, saem desse estado de infelicidade para a euforia, cheios de autoconfiança, revela a psicóloga Isabel Cardoso Benatti. Em sua clínica, em Maringá, ela costuma perceber um erro muito frequente cometido pelos pais. Eles associam essas crises a grosseria e desrespeito, desconhecendo que estas alterações ocorrem por questões hormonais, diz a psicóloga.


