Febre baixa, coriza, mal-estar e uma tosse seca. Os sintomas confundidos com os de uma simples gripe podem indicar a presença de uma doença mais grave, a coqueluche. A doença infecto-contagiosa atinge principalmente os bebês abaixo de seis meses, que podem se infectar quando as vacinas primárias ainda estão incompletas. Se não for combatida, a coqueluche pode trazer consequências graves. Nos menores de dois anos, a doença pode provocar paradas respiratórias, capazes de deixar sequelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação do cérebro.
A pediatra Maria Aparecida Sans Ferreira Azevedo esclarece que o ser humano é o único hospedeiros da Bordetella pertussis (principal bactéria causadora da popular tosse comprida), mas que outros agentes infecciosos também podem provocar tosse similar, entre eles: Bordetella parapertussi, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia trachomatiss, Chlamydia pneumoniae, Bordetella bronchiseptica e certos adenovírus (um tipo de virose). ''É preciso estar atento. Se a tosse se prolongar, a orientação é procurar um médico imediatamente''.
A pediatra explica que a coqueluche começa com uma tosse leve (estágio catarral) e evolui para a tosse grave (estágio paroxístico) muitas vezes como ''guincho'' (quando a pessoa puxa o fôlego), seguida de vômito. A febre é sempre mínima ou ausente. ''O mais importante disso tudo é que a tosse comprida tem tratamento específico e uma boa recuperação, até em crianças pequenas''. Além das vacinas, o tratamento é feito com antibiótico. ''Seguindo as recomendações médicas, a doença desaparece'', garante a pediatra.
Como os sintomas iniciais são leves, muitas vezes a pessoa nem sabe que está doente e pode contaminar, principalmente familiares que têm contato mais direto com a criança. Um estudo publicado este ano no The Pediatric Infectious Disease Journal - publicação oficial das sociedades européia e norte-americana de Doenças Infecciosas Pediátricas - demonstra que até 83% dos responsáveis pela contaminação de bebês menores de seis meses por coqueluche são seus próprios familiares, principalmente pais, irmãos e tios. A pesquisa foi realizada por oito hospitais e centros de pesquisas dos Estados Unidos, Canadá e França e envolveu 95 crianças e 404 parentes, amigos e babás. Os dados confirmam números divulgados anteriormente.
O combate à doença é feito através de vacina (tríplice) já a partir do 2º mês de vida, em geral, três injeções, com um mês de intervalo. Mas estudos revelam que mesmo as pessoas que já foram vacinadas ou já tiveram a coqueluche, perdem a imunidade com o passar dos anos.
Os laboratórios estão sempre pesquisando. Este ano, uma vacina combinada capaz de oferecer com uma só dose o reforço adequado contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite foi lançada no Brasil pelo Sanofi Pasteur, divisão de vacinas do grupo francês Sanofi-Adventis.
A nova vacina (Tetraxin) - 100% líquida na seringa (o que segundo o laboratório facilita a administração) tem apenas fragmentos da bactéria causadora da coqueluche, o que estimula a produção de anticorpos. Destinada a crianças de cinco a 13 anos, chega como uma nova arma para combater a doença. ''As vacinas ajudam, mas um ambiente saudável e arejado, além do combate com antibióticos são fundamentais'', reforça a pediatra.

Sintomatologia
- O período de incubação é de 7 a 14 dias, ou até menos nos lactentes.

- Inicia-se pela fase de catarro (1 a 2 semanas), com sintomatologia gripal característica.

- A fase seguinte, a convulsiva (3 a 6 semanas) caracteriza-se por ataques de tosse extenuantes (2 a 50 por dia), expectoração muco-viscosa e, frequentemente, vômitos.

- A fase regressiva apresenta redução da frequência dos ataques de tosse, com recidivas ocasionais. A maior taxa de mortalidade verifica-se nos lactentes.

- Ocasionalmente, poderão ocorrer algumas complicações, como hemorragias nasais e das conjuntivas, broncopneumonias, encefalopatias, otites médias, etc.

- Poderão permanecer algumas sequelas: bronquiectasias, deficiências neurológicas e transtornos psíquicos (pós-encefalíticos).

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