Conversando, a gente se entende
‘‘No começo da vida de casados, enganávamos a televisão, fazíamos amor e depois conversávamos muito. Hoje, só a televisão fala muito na sala, e nós, mudos, cada um fechado na sua própria solidão’’, revela uma esposa que prefere não ser identificada.
Antes de pular o muro, ou de asfixiar o casamento na mesmice, que tal ter uma boa conversa, sem acusações nem culpas? Uma terapia de casal, dizem as estatísticas, resolve até aqueles casos em que a separação já havia sido decretada. Um exemplo disso é o grupo que atende a casais no Serviço de Assistência Judiciária, vinculado ao escritório de Aplicação do Curso de Direito da Universidade Estadual de Maringá. Ali, estagiários em Psicologia atenderam, no ano passado, 108 pessoas que estavam entrando com ação de divórcio na Justiça. Depois de sessões com as psicólogas do Unidade de Psicologia Aplicada da UEM, somente 42 continuaram com as ações. O resto desistiu do divórcio.
Cuidado, a monotonia mata o amorUm dos hábitos favoritos dos casais brasileiros, que estão no grupo de risco de separação, é mais grave aos domingos. ‘‘É sempre a mesma ladainha’’, diz outra esposa entediada. Meu marido lava o carro e eu faço o almoço. Depois, vamos para a casa dos sogros, e à noite assistimos TV. Cansados e entediados, por volta das 23 horas, vamos dormir, frustrados com tanta rotina e prontos para a rotina da semana que começa’’, confessa Marlete.
‘‘Adoraria poder sair com meu marido para namorar, dançar, como no início. Hoje ele só pensa em trabalho, de segunda a sábado. No domingo, toma uma cervejinha com os amigos e eu fico em casa, amargando com as crianças’’, desabafa uma telefonista que prefere omitir o nome. ‘‘Se essa rotina não mudar, ainda acabo pulando a cerca’’, ameaça a telefonista, casada há oito anos.
No livro Viva Um Caso de Amor com seu Marido as autoras, uma, empresária bem-sucedida e a outra, jornalista, mostram que a relação entre marido e mulher só tende a piorar se não houver mudanças bruscas no comportamento e na rotina do casal, e muita criatividade. Segundo elas, as desculpas mais comuns usadas pela mulher que não tem coragem de mudar a rotina são:
1 - Estou muito ocupada: trabalho o expediente inteiro, cuido das crianças, cozinho, limpo, partilho o carro, etc.
2 - Não é sexy ser mãe
3 - Não sou do tipo frívolo
4 - Meu marido me ama assim como eu sou
5 - Estou muito cansada
6 - Nada que eu faça fará diferença
7 - Meu orçamento está apertado
8 - Ser esposa não é uma tarefa sexy
9 - Meu marido nem repara nas minhas roupas, então para que me importar com isso?
Entre as propostas de mudança que dão certo estão sugestões bem simples. A quebra de rotina pode acontecer num final de semana, sem muitas despesas, mas com planos imaginativos e sem excesso de pudores, afinal, já estão casados há algum tempo! Aqui, as sujestões de Susan Kohl e Alice Bregman:
- Planejem juntos um final de semana sem sair do quarto. Organizem tudo com antecedência: façam com que os filhos fiquem em outro lugar (na casa de amigos ou de parentes); ponham na geladeira as comidas favoritas e tentem ignorar o telefone.
- Leiam livros eróticos juntos, escolham filmes excitantes.
- Usem e abusem dos outros ambientes da casa: namorem na sala de jantar, massageiem-se na sala de estar, façam piquenique na sala de visitas, conversem olhando nos olhos, na banheira etc. E nada como um jantar japonês ou francês à luz de velas aromáticas, a dois.
- Troquem de casa com um amigo ou parente e aproveitem as emoções de uma aventura em território desconhecido.
- Coloquem ‘‘aquelas’’ músicas que os dois adoram e pintem, desenhem, façam esculturas em argila, cozinhem pratos exóticos e façam ginástica, juntos, sem relógio por perto.

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