Contraceptivo vaginal chega ao Brasil
Tão eficaz quanto a pílula, sem os desagradáveis efeitos colaterais. A promessa é do novo anticoncepcional Nuvaring, que chegou recentemente ao Brasil, após receber o título de melhor invenção do ano na área de saúde, concedido pela revista norte-americana Time. O anel vaginal, de 5 centímetros de diâmetro e 1,5 centímetros de espessura, é composto por uma membrana de silicone impermeável. Ela permite que o hormônio, em menor dosagem, vá direto para a corrente sanguínea, sem passar pelo estômago e pelo fígado, caminho percorrido pelos anticoncepcionais orais e principal causador dos desconfortos sentidos por algumas mulheres, como cefaléia, dor nas mamas, problemas gastro-intestinais e náuseas.
Outra novidade do novo medicamento está na sua formulação. O médico ginecologista e obstetra Fernando Felipe de Paula explica que se trata do primeiro método contraceptivo à base do hormônio etonogestrel, uma progesterona que, segundo pesquisas, teria menos efeitos colaterais que os demais. Indicado sobretudo para mulheres com pressão arterial e problemas de circulação, o anel também é especialmente interessante para aquelas que se esquecem frequentemente de tomar a pílula.
A própria usuária se encarrega de introduzi-lo na vagina, nos primeiros dias do ciclo menstrual, e de retirá-lo após 21 dias de uso. Na quarta semana, ela menstrua e, se quiser continuar evitando a gravidez, um novo anel deve ser introduzido. De acordo com o ginecologista, o índice de segurança é o mesmo da pílula: 99,8%. ''Na Europa, o anel vaginal é usado há cinco anos, por cerca de 150 mil mulheres'', informa.
O médico acredita que a grande resistência a ser enfrentada pelo novo anticoncepcional, no Brasil, será de fundo cultural. ''A brasileira não tem o hábito de manipular o próprio órgão genital'', diz, lembrando da pouca aceitação da camisinha feminina e do diafragma. Segundo ele, o inconveniente é que, em 2% dos casos, o parceiro sente o anel durante a relação sexual, mas sem maiores incômodos. ''O anel pode também sair durante a relação ou em outras situações, mas basta introduzi-lo novamente'', explica. O medicamento é contra-indicado para mulheres com doenças vaginais ou do colo uterino ou que tenham sensibilidade aumentada a hormônios.
O ginecologista começou a indicar o novo anticoncepcional há três meses e cerca de 15% de suas novas pacientes têm optado por ele espontaneamente, apesar de custar mais do que a pílula, cerca de R$ 35,00. Outra novidade que chega este mês ao Brasil é o anticoncepcional em forma de adesivo transdérmico, que também conta com dosagens menores de hormônio, mas pode provocar alergias, é difícil de esconder sob o biquíni no verão e tem preço ainda maior do que o anel vaginal. (R.V.)





