A saúde bucal contribui de forma significativa para o bem-estar, pois está relacionada com a qualidade de vida por suas dimensões funcionais, psico-sociais e econômicas. O tipo de dieta e, consequentemente, a qualidade da nutrição, sono, estado psicológico, interação social, desempenho na escola e trabalho, são afetados pelo nível de saúde bucal. Nos Estados Unidos, mais de 51 milhões de horas escolares são perdidas por ano devido às doenças bucais. Já, no Brasil, cerca de 30 milhões de brasileiros nunca foram a um dentista segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, isto é, apenas 15% dos brasileiros podem frequentar consultórios particulares.
Como consequência disto, origina-se a cárie, uma doença infecciosa e contagiosa, podendo ser passada de mãe para filho. A cárie é a principal causa da perda de dentes. No Brasil, aos 40 anos de idade a maioria das pessoas já perdeu 50% dos dentes, e a principal causa são as bactérias que grudam nos dentes do grupo mutans. Entre os 35 a 44 anos de idade, os brasileiros apresentam em média 22 dentes atacados por cárie, a maioria deles já perdidos, pois a maior parte da população ocorre à extração sendo o único tratamento disponível.
Mesma colher Essas bactérias são responsáveis pelo início e desenvolvimento da lesão de cárie, geralmente transmitidas à criança pela mãe, só conseguem se fixar na boca do bebê após o nascimento dos primeiros dentes. ''O maior perigo de contágio se dá entre os 19 e os 31 meses de idade. Neste período, a comunidade bacteriana da boca ainda não está completa, permitindo que a bactéria se instale com maior facilidade'', explica o cirurgião-dentista Pedro Sperandio Lopes Morales, do Centro de Ensino e Pesquisas Odontológicas, de Londrina (Epeo).
Segundo Morales, é aconselhável que a mãe (ou outra pessoa) não experimente a comida do filho na mesma colher, para evitar o contágio. Este hábito pode levar o bebê a ter cárie se na saliva do adulto existirem altos níveis de bactéria responsável por esta doença.
Uma pequena colher de chá contaminada por uma pessoa altamente infectada pelas bactérias da cárie pode abrigar milhares desses micróbios. ''Além da mãe, outros adultos podem também ser fontes de contaminação, que ocorre através de gotículas de saliva passadas para o bebê. A bactéria é transmitida também quando o adulto ou uma criança mais velha falam muito perto ou beijam a boca do bebê'', reforça Anastácia Piceli Zanoni Morales, também do Epeo.
Beijo A possibilidade de o beijo transmitir a cárie existe porque as pessoas estão trocando bactérias enquanto se beijam. Entre adultos, a probabilidade de um beijo infectar o outro parceiro é sempre menor que o contágio entre bebê e adulto, pois este já tem uma comunidade bacteriana definida, o que não dá chance para que novas bactérias se instalarem.
Para prevenir a cárie na infância, é preciso começar a agir durante a gravidez. Uma das maneiras de se fazer isso é diminuir a chance do contágio pela mãe. Quanto mais a proliferação dos mutans for controlada na boca da gestante, menor a chance de contaminação da criança. Esse combate à bactéria não deve ser uma ação isolada e, sim, fazer parte de um programa de educação para a saúde que envolva toda a família. A educação para a saúde bucal deve encorajar a adoção de hábitos saudáveis e desestimular os nocivos. Afinal, a transmissão de maus hábitos, como a ingestão frequente de alimentos contendo açúcar, aumenta a chance de a criança ter cáries, além de beneficiar a saúde bucal da própria mãe e de facilitar seu controle de peso durante a gravidez.
Buraco A cárie dentária tem afetado a humanidade desde a sua pré-história. Seus diagnóstico e tratamento concentraram-se desde que a odontologia existe. Ainda hoje a maioria das pessoas pensa que a cárie é apenas uma cavidade no dente. O ''buraco'' é apenas o estágio final da doença cárie e, quando diagnosticado, a única chance de tratamento possível é a colocação de uma obturação.
A odontologia atual se preocupa com a promoção da saúde e preservação dos dentes. Para que isso seja possível, a cárie deverá ser diagnosticada em seus estágios iniciais, antes de se tornar um buraco, enquanto é apenas uma descalcificação (mancha branca) no dente. Atualmente o dentista tem a seu dispor vários métodos novos que o ajudam a fazer um diagnóstico mais apurado, podendo detectar as lesões de cárie antes de ela se tornar uma cavidade, evitando assim a necessidade da colocação de restaurações e mantendo a integridade do dente. n

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