Contagem regressiva
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Vivan Ávila Pavan Especial para a Folha da Sexta 
Out-doors espalhados pela cidade anunciam: Paz, amor e volta às aulas. Mas o que se vê no interior de livrarias, grandes lojas e supermercados que vendem material escolar é uma pequena guerra sendo travada. O barulho de calculadoras e impressoras dão o tom da batalha onde figuram mães afoitas e atendentes que, munidas das listas de produtos, encenam uma repetitiva coreografia: é um sobe e desce de escadas, pega aqui, consulta ali!
Nestes dias que antecedem a volta às aulas, funcionários de livrarias colocam suas qualidades à prova: uma delas, a resistência física. Afinal, são cerca de 1.200 clientes diários, de acordo com a gerente Edna Lopes Oliani. Com a experiência de muitos anos no mercado, Roberto Fujita, sócio de outra livraria, prevê um grande movimento nesta primeira semana do mês. Ano passado, lembra ele, tiveram que baixar as portas para garantir o atendimento e evitar tumulto.
Maratona Disposição e tempo para percorrer vários endereços também estão na agenda dos pais. Tanto esforço vale, muitas vezes, uma economia suada. A lista escolar é só mais um dos compromissos financeiros de milhares de famílias brasileiras no início do ano. Junto com uma série de impostos, entre eles, IPVA e IPTU, só para citar alguns, o preço dos materiais escolares faz muitos pais perderem o fôlego. Por isso, antes de passar pelo caixa da livraria, muita pesquisa tem que ser feita. A julgar pela quantidade de pedidos de orçamentos recebidos, a peregrinação por um preço melhor é regra, observa Edna Oliani. E para driblar a carestia, pais e filhos lançam mão de soluções alternativas.
Pesquisando e comprando só pelo melhor preço, a professora Zuleika Piassa conseguiu reduzir em R$ 30,00 o valor da lista do filho José Vítor, aluno de pré-escola. Zuleika fez quatro orçamentos. Pelo mais caro, gastaria R$ 87,00. Como o material do filho ainda não inclui livros didáticos, o desfalque no orçamento não é grande, garante Zuleika que critica, contudo, alguns itens da lista. Certos materiais como canetas, litro de álcool e copos descartáveis deveriam ser de responsabilidade da escola, não dos pais.
Troca O alto custo da lista de materiais fez com que há dois anos a digitadora Angela Ferrari Salomon iniciasse um processo de troca de livros didáticos dos filhos Talles, de 10 anos, e Diego, 8. Numa conversa com uma amiga, que tem filhos na mesma escola, descobriu que muitos poderiam ser aproveitados. Desde então, mãe e filhos ocupam um bom período das férias apagando as anotações dos livros que serão reutilizados. Outra opção de economia, revela, é o empréstimo dos livros de leitura exigidos pelo colégio. Para Angela essa prática tem sido bastante positiva. Filhos aprendem desde cedo a contribuir para reduzir gastos e, também, se conscientizam sobre a importância da conservação dos livros.
Bem aproveitado A empresária Soraya Taufic Tauil Machado enfatiza que o valor dos materiais pesa muito no orçamento familiar, sobretudo porque o início do ano letivo coincide com uma série de compromissos, como o pagamento do seguro do carro e outros impostos. O material das filhas Gabriela, aluna do 2º colegial, e Paula, na 7ª série, foi orçado em cerca de R$ 800,00. Além de parcelar a despesa, Soraya conta que desembolsou bem menos. A ajuda veio da filha mais velha, que tem o hábito de emprestar de amigos os livros de leitura solicitados. Apesar de caro, Soraya se diz satisfeita com o aproveitamento do material. Nada fica encostado, observa.
Diferente da maioria das mães, a professora Ivna Pereira Leão está livre do corre-corre pelo material escolar. O colégio onde estudam os filhos Iago, na 2ª série, e Fabrício, na pré-escola, se encarrega da compra de todo os itens.
Conforme Ivna, uma taxa anual de R$ 260,00 é embutida na mensalidade de cada aluno. Ela considera razoável o valor cobrado e o sistema adotado bastante cômodo, sobretudo porque livros e cadernos já vêm encapados e a escola se ocupa, também, da reposição do material. Lápis nunca estão aos tocos e as massinhas de modelar não se transformam naquelas bolas sem cor definida.


