Consumo - Para delírio dos fiéis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de abril de 1997
Francelino França Texto e Produção 
Milton DóriaEstudar junto ao time do coração virou mania entre os estudantes. Caderno universitário, 200 folhas, R$ 4,50Sem dúvida, os clubes estão ganhando muito dinheiro fora do campo. Depois da onda de profissionalismo na administração dos times de futebol, o marketing corre solto. Negócios com cifras estratosféricas foram assinados há poucos dias com o Flamengo e o Santos. A Umbro, empresa de materiais esportivos, está desembolsando cerca de R$ 8 milhões por ano, patrocinando o maior time do País, o Flamengo, e R$ 2 milhões com o Santos. Por trás disso, há uma imposição para os clubes evoluírem, pois as empresas estarão cobrando mais eficiência em campo.
Em nome de investimentos e licenciamentos, há uma infinidade de itens que estão sendo vendidos com o emblema dos clubes. Não há limites para carimbar um produto com o escudo de um time: pode ser um invólucro de balas ou um abajur para o quarto. Quem encabeça essa estratégia de marketing são os maiores clubes do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O Palmeiras tem 150 produtos com sua marca, e deve faturar este ano R$ 1 milhão com licenciamentos. O rubro-negro possui até cartão de crédito Flamengo Bradesco-Visa. No mercado fonográfico está sendo lançado o CD Gritos da Galera. No Rio, calcinhas ultra-sensuais, nas cores do clube, modelo asa-delta, prometem balançar ainda mais os corações dos torcedores cariocas. Afinal, a dobradinha futebol e mulher sempre deu certo.
A nação corintiana pode consumir ou colecionar desde bermudas, água mineral, aromatizantes para carro, capas de chuva, jaquetas, caixas de fósforos, cigarros, kits de cozinha, cama e mesa e até uma deo-colônia.


