Consciência ambiental a tiracolo
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Luciele Velluto<br> Agência Estado 
Se o assunto da vez é sustentabilidade, não tem nada mais na moda do que as ecobags, bolsas ecologicamente corretas por substituírem as sacolas plásticas de compra e diminuírem o descarte de resíduos no meio ambiente. A cada uso de uma sacola retornável, deixam de ser utilizadas cinco sacolinhas de plástico.
Supermercados, lojas de produtos para casa e até lojas de bolsas oferecem produtos dos mais diferentes materiais, como algodão cru e tecido feito de garrafa PET reciclada. E os preços e modelos estão disponíveis para todos os bolsos e gostos.
Há também versões com formatos e estampas diferenciados, assinadas por designers e estilistas para marcas famosas, que se servem delas para embalar os produtos comercializados. Essa variedade cai no gosto de mulheres que adotam as ecobags para compor um visual descontraído no trabalho ou na escola.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente - que promove a campanha de conscientização pelo uso de sacolas retornáveis ''Saco É um Saco'' - são consumidas em médias 12 bilhões de sacolas plásticas no Brasil por ano. Em média, são 66 sacolas por brasileiro nesse período. ''Parece pouco, mas pessoas sempre usam sacola plástica no supermercado, padaria, farmácia, entre outros. Imagine quem faz grandes compras. A gente sempre tem mais saco do que precisa em casa e não percebe'', afirma a técnica em Consumo Sustentável do órgão, Fernanda Daltro.
O estudo do ministério sobre o aproveitamento das sacolas de plástico mostra que 80% dos sacos são reutilizados para descarte de lixo e acabam em lixões e aterros e não são reciclados. A previsão é que uma sacola demore 400 anos para se decompor. ''Os sacos são feitos de plástico, que vem de um recurso natural. É consumido petróleo e se gasta muita energia para se fabricar uma sacola'', explica a técnica do ministério.
Fernanda também conta que a opção por sacolas biodegradáveis não decolou porque a produção que utiliza amido de milho como base para a fabricação do bioplástico não é feita em larga escala, o que torna o processo industrial caro. ''Fora que teria de ser implantado um processo de coleta seletiva e separação de resíduos nos aterros e lixões para que o descarte desse material fosse correto'', diz.
O campanha do Ministério do Meio Ambiente busca incentivar que os consumidores passem a fazer um uso consciente das sacolas plásticas e busquem utilizar as ecobags para diminuir os impactos que até um trilhão de sacolinhas no mundo podem causar anualmente no meio ambiente. ''Sabemos que em uma sacola não cabe toda uma compra, mas já há preços de sacolas acessíveis ao consumidor em algumas redes varejista. A questão é a mudança de hábito'', comenta a técnica. (Colaborou Micaela Orikasa).
Thalita Pascual, estudante de Publicidade e Propaganda, não precisa ir às compras para carregar suas ecobags. Para ela, que utiliza as bolsas ecológicas como acessório no dia a dia, a consciência ambiental também pode ser sinônimo de estilo de vida, agregado a um visual despojado e bonito.
O hábito, segundo ela, é resultado dos 11 anos vividos em New York. Lá, as pessoas usam essas bolsas há muito tempo, é uma prática comum. Aqui, ainda percebo uma certa restrição, talvez pela falta de conscientização, diz.
A boa notícia é que o mercado das ecobags está ganhando versões cada vez mais criativas e coloridas. Além de espaçosas, elas são neutras, e acho que combinam com tudo, argumenta Thalita. Tomara que essa moda pegue.


