A Île de la Cite é, atualmente, uma das regiões mais nobres e valorizadas de Paris. Trata-se de uma ilha que separa os dois lados da cidade divididos pelo Rio Sena: a margem esquerda, ou Rive Gauche, e a margem direita, ou Rive Droite. É lá que está, por exemplo, um dos maiores atrativos turísticos da capital, a Catedral de Notre Dame. Já a sua vizinha, a Île Saint-Louis, abriga o apartamento em que Chico Buarque reside durante suas estadias anuais na cidade.
Foi em uma das duas ilhas - não se sabe exatamente qual - que se deu o surgimento de Paris. Em 52 a.C., romanos invadiram o acampamento gaulês que ocupava a área, venceram os residentes em batalhas sangrentas e instauraram a cidade gaulo-romana que seria chamada de Lutécia. Na divisão, gauleses ficaram com a Île de la Cite e romanos começaram a expansão da cidade pela Rive Gauche. A Cité, então, é a mais antiga das regiões da cidade e o berço não apenas de Paris, mas de toda a França tal qual a conhecemos hoje.
As margens dessas duas ilhas - especialmente a próxima à Pont Neuf, a ponte mais antiga de Paris - são os pontos mais disputados da cidade por aqueles que passaram todo o inverno ávidos para a temporada dos piqueniques à beira do Sena. No fim do dia, de lá avista-se um dos pores do sol mais bonitos da capital, idealmente acompanhado de um bom vinho rosé que combina com as altas temperaturas do verão. Na Île Saint-Louis, faça uma pequena pausa para o sorvete mais célebre da cidade, da marca Berthillon, mesmo se estiver fazendo frio. Ele é vendido no pequeno café Estérina (31 Rue Saint-Louis en l’Île).
Para uma visita mais introspectiva, a ponta da ilha mais próxima a Notre Dame guarda um monumento em homenagem às vítimas do Holocausto que faz lembrar algumas das obras de Berlim dedicadas ao mesmo tema. É o Memorial dos Mártires da Deportação (www.onac-vg.fr) uma homenagem aos judeus franceses deportados durante a Segunda Guerra Mundial. Da superfície, não se vê muita coisa: a visita começa descendo uma pequena escada que dá para grandes corredores de pedra e uma instalação de 200 mil hastes de vidro que simbolizam as vítimas. Toda a arquitetura do prédio proporciona uma leve e proposital sensação de mal-estar. Em alguns pontos, o visitante percorre o monumento à mesma altura do Sena, e nas paredes pode ler poemas de Paul Elouard e Louis Aragon. Grátis. (R.R.)

Imagem ilustrativa da imagem Conheça onde surgiu Paris
Próximos à Pont Neuf, a ponte mais antiga de Paris, estão alguns dos pontos mais disputados da cidade por aqueles que desejam fazer piqueniques à beira do Sena
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