CONFLITO NA SALA DE AULA
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Agência Estado 
Não bastasse o bullying cometido pelos colegas de escola, muitas crianças hoje sofrem de um novo tipo de intimidação e hostilidade por parte de professores que não sabem como tratar alunos problemáticos, que sofrem de algum distúrbio.
''O aluno com hiperatividade, por exemplo, é colocado dentro da sala de aula, começa a tumultuar e o professor não sabe como lidar. Ele não está capacitado para conduzir essa situação e acaba entrando numa competição para medir forças'', explica a psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto. Segundo ela, tanto o aluno como o professor são vítimas dessa situação. ''Na escola pública o aluno não valoriza o professor. Chegamos ao ponto de que é necessário, muitas vezes, ter a interferência mesmo do Conselho Tutelar e da Ronda (polícia escolar).''
O psiquiatra Bruno Mendonça Coêlho afirma que muitos professores têm dificuldade em identificar crianças com distúrbios e isso acontece, principalmente, pelo excesso de alunos em sala de aula e pela falta de formação do professor. ''Além da dificuldade em identificar uma criança com problema, existe o preconceito dos próprios pais, que se negam a aceitar que seu filho tem uma doença'', explica Coelho.
E os casos não são poucos. Segundo o psiquiatra, cerca de 40% das crianças que buscam tratamento são diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). ''A dica é ficar atento a qualquer mudança no comportamento das crianças, o que pode indicar que existe algum problema''.
A professora Maria Lúcia Pinto Benites Chaves ministra aulas em uma escola municipal de Pompeia, interior de São Paulo, e sabe muito bem o que é viver essa situação. ''Tenho um aluno de 8 anos de idade hiperativo e extremamente agressivo. Ele agride verbalmente tanto eu como os colegas. Fico de mãos atadas, sem saber o que fazer. Não estamos preparados para lidar com uma situação como essa'', conta.
A professora afirma que nunca revidou as grosserias do aluno e que sempre tenta tratá-lo com carinho, o que não adianta, já que ele não permite a aproximação. ''O ideal seria desenvolver um trabalho individual com essa criança. Gostaria muito de poder voltar a estudar e saber lidar com essa situação, mas por falta de recursos financeiros isso não é possível'', fala Maria Lúcia.
Uma situação completamente diferente acontece com a professora Karina Esteves, que dá aulas em uma escola particular de São Paulo. Na sala de aula, o número de alunos é reduzido o que acaba facilitando a identificação de distúrbios psicológicos. ''A gente percebe quando existe algum problema e aí o passo é conversar com os pais dessa criança e solicitar apoio médico e da própria escola, o que sempre funcionou'', conta.
Medidas Simples
Em meio a esse turbilhão de emoções vividas por alunos e professores, medidas simples podem ajudar a resolver a situação durante as aulas. A psicóloga Rafaela Gualdi explica que a participação dos pais é fundamental. ''Eles devem estimular a criança a contar como foi o seu dia na escola e buscar ser parceiros da instituição''. Para ela, o papel do professor também é de extrema importância, já que é ele quem passa boa parte do tempo com a criança. ''Ele precisa buscar estreitar os laços com o aluno e respeitá-lo para ser respeitado, sempre com muito carinho'', diz.
O norte-americano especialista em prevenção e repressão ao bullying e autor do livro ''Proteja seu filho do Bullying'' (Editora BestSeller), Allan L. Beane concorda com a psicóloga. ''Professores e todos os funcionários das escolas devem se basear na seguinte regra de ouro: tratem os outros da maneira como gostariam de ser tratados.''


