Morando há quatro anos e meio em São Paulo e trabalhando em um grande portal de notícias, a jornalista Janaina Garcia se identifica com vários sintomas da Síndrome do Pensamento Acelerado.

"As sensações de ser esmagada pela rotina e de que as 24 horas do dia são sempre – sempre – insuficientes são coisas que tomam uma amplitude muito maior numa cidade como São Paulo, em que o fator trânsito consome muito do físico e do mental. E também por conta do tipo de trabalho, que me faz ficar conectada e com acesso frequente a redes como o whatsApp o tempo todo", explica.

Como repórter, ela conta ter uma rotina mais ou menos definida, o que inclui nove a dez horas de trabalho diariamente, além de um plantão de sábado e domingo uma vez por mês. Somado a isso, ainda existe uma pós-graduação e "quando sobra tempo, academia". Porém, a exigência de estar sempre bem informada faz com que ela não se desligue do celular, a não ser em raros momentos, como em consultas médicas.

Entretanto, Janaina tenta fazer intervalos na rotina. "Quando dá, faço uma pausa no almoço. Tenho uma hora para tal, e, ainda que mais tarde, algum dia, em função da pauta, e mesmo que em menos de uma hora, tento não negligenciar o almoço. Além disso, sempre que posso, busco almoçar com amigos, o que é ótimo para a cabeça. Fora isso, alguma pausa pequena para um café, no fim do dia, sempre é bem-vinda, se o dia, claro, permite", enumera.

A correria não para mesmo nos finais de semana. "Quando estou com o fim de semana livre fico ansiosa pensando nas milhares de coisas que quero fazer e não tenho tempo: aquela exposição, aquele filme legal, um show que vi em cima da hora e já não tem mais ingresso, o café com aquela amiga que eu não vejo há séculos... Aí vem a folga e acabo tendo a sensação de que não fiz 30% do que queria ter feito. Manicure, cinema, restaurante – mas olho para a fila de coisas planejadas e penso: quem sabe no próximo?!", afirma rindo.

Janaina diz que tem consciência que deveria ficar menos tempo conectada e também organizar melhor seus horários, de forma a ter mais tempo disponível, mas ainda não consegue. "Vejo TV com o computador ou o celular à mão, tenho preguiça de ir dormir e no dia seguinte, quando acordo já cansada, bate aquela culpa." (E.G)

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