O aposentado Sérvulo França é um exemplo de gente que não pára de sonhar e buscar coisas novas. Com 75 anos de idade, 40 deles dedicados à profissão de propagandista da indústria farmacêutica, ele nem pensa em passar seus dias descansando em casa ou encontrando amigos em alguma praça da cidade. O objetivo agora é aprender inglês e informática. ''Acredito que com isso ficará mais fácil encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Fui ativo durante muito tempo e quero continuar trabalhando'', afirma.
O primeiro passo ele já deu: matriculou-se em um curso de informática exclusivo para pessoas da terceira idade oferecido pelo Colégio PGD. ''Fiquei sabendo das aulas no ano passado por uma amiga, e resolvi tentar neste ano. Não tenho computador em casa e não sei fazer muita coisa com ele, mas tenho disposição para aprender. Acho que vai ser bem tranquilo'', garante.
Foi pensando em pessoas como França que o colégio decidiu incluir em seu programa de responsabilidade social o projeto Amigos Digitais, que ensina gratuitamente o básico da informática para pessoas acima dos 60 anos. ''Nossa intenção é melhorar a vida delas. A tecnologia está muito presente nos dias de hoje e eles precisam se adequar. Muitos idosos não conseguem usar o caixa eletrônico dos bancos, por exemplo, por não conhecer a máquina. Ser capaz de fazer isso sozinho com certeza aumenta a auto-estima deles, além de fazê-los exercitar a mente e, com isso, evitar doenças cerebrais como o Mal de Alzheimer'', diz o gestor de responsabilidade social do PGD, Marcos Goes.
Ligar e desligar- ''Resolvi fazer o curso porque meu filho me disse que eu não posso ficar parada, que de aprender algo novo. Tenho uma prima de 90 anos, que mora no Japão, e mandou um e-mail para a família. Pensei: se ela consegue, eu também. Quero comprar um computador para poder falar com parentes que moram fora, copiar receitas. Estou um pouco ansiosa para começar a aula. A única coisa que eu sei é ligar e desligar o computador. Acho que o professor vai ter que ter bastante paciência'', comenta a aluna Tomico Takayama, 69 anos, na véspera de iniciar o curso.
As aulas, que acontecem uma vez por semana com duração de duas horas, são dadas pelos professores de tecnologia da informática com a ajuda de alunos do colégio. ''Eles são voluntários e cada aluno nosso fica responsável por assessorar um idoso. Essa iniciativa faz parte da filosofia da escola. Queremos formar o cidadão do futuro e desenvolver neles o espírito do voluntariado'', explica Goes.
De acordo com ele, a interação entre os jovens e os idosos é muito boa. ''Muitas vezes as pessoas que vêm para o curso já tentaram aprender a usar o computador em casa, com um filho ou neto, mas as pessoas da família nem sempre têm paciência e didática para ensinar. Isso cria nos idosos uma sensação de incapacidade. Nossos alunos gostam de vir aqui e ajudá-los'', diz.
O adolescente Matheus Rodrigues Calderon, 14 anos, foi voluntário da turma do ano passado e diz que é muito satisfatório trabalhar com os vovôs e vovós. ''A professora me falou do curso e resolvi participar porque gosto de computadores. É muito legal acompanhar esse aprendizado, ficar perto deles. Minha avó foi minha aluna e hoje ela faz um monte de coisas sozinha, como digitar receitas, conversar no MSN'', conta.
O curso dura seis meses e nele os alunos aprendem como funciona um computador e como usar os programas de internet e digitação. ''O mais difícil para eles é controlar o mouse. No restante eles vão muito bem. As aulas são repetitivas para facilitar o aprendizado e alguns alunos do ano passado foram tão bem que serão monitores dos alunos deste ano'', diz a professora de informática Eliana Elias Eid Campos.
Serviço O material usado no curso é doado por uma escola de informática. Para fazer a inscrição basta ter mais de 60 anos e vontade de aprender. Fone (43) 3372-7555.

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