Comprando problemas
Comprando problemas
Fazer compras sem sair de casa pode ser uma maravilha, mas pode também virar um pesadelo
Celina Alonso Az
Arquivo FolhaUma das principais queixas registradas pelo Procom é feita pelos consumidores que compram através de cartão de crédito pela InternetQuem não se deixa seduzir aos apelos da mídia é, antes de tudo, um forte. Para piorar a situação dos que não resistem, hoje é fácil demais comprar sem sair da poltrona da sala. Inúmeros serviços prometem mundos e fundos e ainda arrematam: satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Comprar por catálogo e por telefone pode ser uma maravilha, mas pode também virar um pesadelo. Previna-se!
Em Maringá, no ano passado, o Procom municipal conseguiu resolver alguns casos de consumidores que fizeram uma má compra. Mas muitos, por medo de reclamar seus direitos ou vergonha de assinar atestado de ingenuidade, preferem deixar o caso de lado.
Com juros e correção O coordenador do Procom, Daniel Campos conta dois dos casos resolvidos com sucesso, mas por ética não revela o nome dos envolvidos. O primeiro foi uma senhora que comprou revistas por telefone, com o cartão de crédito. O vendedor trabalhava para duas editoras diferentes e por má fé deu o número do cartão dela para assinar uma outra revista.Quando ela recebeu as duas faturas reclamou junto ao Procom e disse que só tinha assinado uma. Por sorte, ela conseguiu identificar o vendedor. A editora de renome cancelou a compra e ressarciu o dinheiro.
Outro caso foi o de 15 pessoas que compraram uma enciclopédia editada no Rio Grande do Sul e comercializada em Maringá, e tiveram de correr atrás do prejuízo. Segundo o vendedor, elas teriam um mês para pagar, mas a fatura chegou com o prazo de apenas uma semana. Os revoltados consumidores, com a intermediação do Procom, moveram uma ação conjunta e receberam da editora o dinheiro de volta com juros e correção.
Marcos NegriniDaniel Campos, coordenador do Procom, ensina a lutar pelos direitosDevolução As ofertas do serviço por telefone 011-1406 parecem deixar bem claro as condições da compra. Segundo a propaganda, o cliente terá um mês para reclamar ou devolver o produto e receber o dinheiro de volta, conta Daniel Campos. E não temos recebido reclamações deste e dos outros serviços anunciados pela TV em Maringá, acrescenta. Ele explica que dependendo da empresa, e é assim que estas que operam em TV funcionam, nem é preciso ter um bom motivo para a devolução. O cliente pode simplesmente dizer que desistiu da compra, ou que ao ver o produto preferiu não comprar e pegar seu dinheiro de volta.
Quando a empresa não estipula o prazo da devolução, ficam valendo apenas os sete dias determinados pelo Código de Defesa do Consumidor, e sem nenhuma justificativa importante. Dentro desse prazo, a pessoa pode simplesmente dizer que viu o mesmo artigo mais barato em outro lugar, ou que não ficou satisfeita, afirma Campos.
Uma das principais queixas registradas pelo Procom é feita pelos consumidores que compram através de cartão de crédito pela Internet. Existem muitos hackers (piratas da rede) que descobrem o número do cartão e fazem compras com identidade falsa. Eles recebem o produto no endereço deles, mas quem paga a fatura, em geral débitos monstruosos, é o dono do cartão. Dificilmente se consegue comprovar que quem cai no conto do cartão é inocente. E a administradora não se responsabiliza pelas compras feitas com ele.SUGESTÕES DO PROCOM
* Só compre depois de fazer uma pesquisa sobre a idoneidade da empresa. Essa relação é difícil porque muitas são estrangeiras, mas vale a pena tentar.
* Busque informações, na imprensa, na Justiça, sobre a empresa.
* Se perder seu cartão, dê baixa imediatamente porque existem quadrilhas de compradores de cartões roubados.
* Nas compras por telefone, anote sempre o nome do vendedor, a data e até o horário em que efetuou a compra.
* Quando se sentir lesado, reclame sem medo. Se o caso transcender os limites de atuação do Procom, poderá ser encaminhado a Delegacia do Consumidor, ou ainda ser aberto inquérito pelo Ministério Público. O consumidor sempre tem como se defender de comerciantes desonestos. Lute pelos seus direitos.





