Para muita gente, a ideia da troca de casas ainda é apenas coisa de Hollywood. E das mais recentes. Até 2006, ano do lançamento do filme O Amor Não Tira Férias, com Kate Winslet e Cameron Diaz, a iniciativa era mais conhecida mesmo pelos sócios de clubes especializados. Detalhe, os pioneiros HomeLink e InterVac surgiram no início dos anos 1950, nos Estados Unidos.

Bem distante do perfil das protagonistas do filme – solteiras e de corações partidos –, a professora e blogueira de viagem Adriana Pasello se aventurou em uma troca de residências no final do ano passado. Junto com os dois filhos, ela e o marido, o professor Renato Martins, passaram dois meses em Boise, capital do estado de Idaho, Estados Unidos, na casa da escritora Amanda Turner, que por sua vez, veio para Londrina ficar na casa do casal.

Mas se na telona a troca foi feita rapidamente entre as duas, no caso de Adriana, o processo todo levou quase um ano. Entre decidir se cadastrar, entrar no clube e encontrar a pessoa com quem faria o intercâmbio de residências foram quatro meses. E depois mais três meses de conversas entre as duas até baterem o martelo. "Você namora o seu parceiro de troca de casa", define Adriana sobre a intimidade criada com a escritora norte-americana, apesar de nunca terem se encontrado pessoalmente.

"Saímos de casa às 8 horas e eles chegaram às 15", lembra a professora, que embarcou em dezembro rumo ao noroeste norte-americano. "É um processo. Não é que você decide hoje trocar de casa e amanhã você sai", explica. "Depois que a gente teve filho, percebemos que aquele ritmo que a gente tinha antes parecia uma maratona. A gente viajou muito, foram quase 30 países, mas sem criança pode ficar até tarde, pegar voos loucos", explica.

"Decidimos que não iríamos parar de viajar depois que os filhos nascessem, só iríamos mudar a estratégia de viagem", lembra Adriana. "A troca de casas surgiu como uma ideia onde a gente teria um ambiente que é uma casa com o bônus de trocar com uma família com filhos da mesma idade. A gente percebeu que eles (filhos) ficam melhores acomodados em lugares que lembrem uma casa. Nos Estados Unidos paramos de usar hotel convencional e procuramos ficar em hotéis com quitinete. Só o fato de ter um espacinho para eles colocarem brinquedo no chão, eles ficam melhores, da mãe fazer uma comidinha."

Com 8 e 6 anos respectivamente, Isabel e Samuel já carimbaram o passaporte em 12 países com os pais, incluindo uma viagem de motorhome pela Califórnia. "Quando você faz a conta fica puxado querer ficar mais tempo fora, ainda mais com o dólar do jeito que está", conta Adriana, que também fez uma troca de carros. "Quando você aluga carro você quer fazer valer o aluguel todos os dias, não aceita ficar um dia sem sair se não quiser", explica. "Não tivemos custos com hospedagem nem com carro e pagamos as passagens extremamente baratas", conta o professor Renato Martins. "Para nós seria impossível pagar hotel e carro durante os dois meses", afirma.

"Quer trocar de casa, comece a se dar bem com seus vizinhos. Você vai precisar deles. Eles são importantíssimos", adianta Adriana, que contou com uma rede de bons vizinhos tanto aqui quanto em Boise. "Nunca tinha ouvido falar da cidade, mas se é mesmo a primeira impressão a que fica, me apaixonei por Boise nos primeiros 30 minutos", derrete-se. Um dos vizinhos americanos foi buscar a família no aeroporto, assim como a vizinha londrinense fez a mesma gentileza.

"Não é que eu não tenha apego às minhas coisas, tenho muito", alerta Adriana. "Trabalhamos o desapego com as crianças e com a gente mesmo. Alguns brinquedos eles pediram para guardar e respeitamos", lembra. "Mas alguns amigos queriam que tirássemos os documentos de casa", diverte-se. "Conheço os americanos, já morei lá, eles são muito respeitadores", conta Renato. "E o que nós temos mesmo é a nossa casa", diz.

Autora do blog Diário de Viagem – Um Roteiro de Diversão Familiar pelo Mundo (www.diariodeviagem.com), Adriana é uma referência na blogosfera com as dicas para quem viaja com crianças. A primeira viagem internacional da primogênita aconteceu quando ela tinha 1 ano. "Já o Samuel viajou com quatro meses, eu estava mais corajosa", lembra. Para Adriana, foram as experiências de viagens com os filhos que fizeram o casal encarar a troca de casas. "E vamos de novo este ano", avisa a blogueira.

A ideia agora é aproveitar a nova temporada no exterior para engatar também um intercâmbio familiar, para turbinar o inglês das crianças. "De manhã cada um fica na sua sala e à tarde, a família faz aula todos juntos", explica Adriana, que tem pesquisado escolas no Canadá, entre outros lugares.

Para a blogueira, que já fez muito turismo convencional, conhecendo os monumentos mais conhecidos, "o turismo de experiência é uma realidade. As pessoas ficam mais abertas a te conhecer", ensina. Foi assim com o vizinho americano, que convidou Adriana, Renato e os filhos para passarem a virada do ano em um chalé da família. "Estava 15 graus negativos", lembra.

Adriana fez a troca de casas pelo site HomeExchange.com, do qual é sócia e paga uma taxa. "Há sites que não cobram taxas, mas não senti tanta confiança", avisa. "Era um universo que eu não sabia que existia", entrega a professora, que lembra que há clubes mais específicos, tanto para professores universitários, como para famílias com crianças.

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A casa onde os londrinenses ficaram em Boise, Idaho
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A família londrinense nos EUA a caminho de um passeio de trenó
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A família norte-americana no Museu Histórico de Londrina
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Com 220 mil habitantes, Boise fica no noroeste americano
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Visita ao Discovery Center – Museu de Ciências para Crianças
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Os Turner experimentando caldo de cana em Londrina
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