Seja por compaixão animal, por motivos ambientais ou ainda por uma questão de paladar, muitas pessoas se tornam vegetarianas ou veganas. Há quem apenas exclua a carne do cardápio, enquanto outros optam por deixar de consumir qualquer produto derivado ou testado em animais (veja definições no quadro ao lado). Independente da motivação, muitas empresas têm se preocupado com esse público consumidor, bastante exigente e firme em seu propósito.
Em pesquisa realizada pelo Ibope em 2012, 15,2 milhões de brasileiros – 8% da população – se declararam vegetarianos. Ainda de acordo com a pesquisa, Curitiba é a segunda cidade com mais vegetarianos no País (11% dos moradores adeptos), perdendo somente para Fortaleza (14%). Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, Curitiba é considerada a Capital Vegetariana do Brasil, pelo movimento forte do vegetarianismo, com muitos restaurantes e empórios específicos, além de eventos gastronômicos para quem segue esse estilo de vida.
Em Londrina, aos poucos, os restaurantes e lanchonetes oferecem opções em seus cardápios e alguns estabelecimentos já criaram seções específicas de produtos vegetarianos e veganos. Ao mesmo tempo, muitas pessoas descobrem o prazer de cozinhar, como a advogada Camila Dutra Pereira. Vegetariana há cinco anos, ela mudou a forma de se alimentar após pesquisas para seu trabalho de conclusão de curso, no qual abordou os aspectos éticos dos direitos dos animais. Há cinco meses, ela fez a transição para o veganismo ao lado do esposo, o artista plástico Caio Vaz, que até então mantinha uma alimentação onívora, à base de vegetais, carnes, ovos e laticínios.
"Fui mostrando para ele que o veganismo é necessário e viável por meio de documentários e reportagens e, assim que descobrimos juntos que a comida é maravilhosa, decidimos nos tornar veganos. Excluímos, na medida do possível e do praticável, todos os produtos de origem animal da nossa alimentação e vestuário e também damos preferência às empresas que não testam em animais", explica Camila.
Ela conta que ainda sente um pouco de dificuldade em comer fora de casa e que precisou aprender a ler os rótulos dos produtos para identificar ingredientes de origem animal. Assim, descobriu o prazer de cozinhar, inclusive se programando para deixar comida congelada para a semana.
"Antes de ser vegetariana eu relutava bastante para cozinhar pois não achava agradável lidar com um pedaço de um animal, temperá-lo e cortá-lo. Quando decidi me aventurar na cozinha para preparar comida vegana, descobri como é agradável lidar com alimentos que vieram da terra, sem sofrimento, sem crueldade. É uma terapia para mim. A internet está cheia de receitas veganas e eu estou sempre em busca das mais práticas e baratas. Se sinto vontade de comer algo em específico, vou atrás da versão vegana e faço em casa. Criei um instagram para mostrar para as pessoas que o veganismo é acessível a todos, que as receitas são simples e feitas com ingredientes que podem ser facilmente encontrados. Quando queremos, não há desculpa. E nós queremos nos alimentar sem que vidas sejam ceifadas para isso", finaliza.

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Imagem ilustrativa da imagem COMPORTAMENTO - Viver sem carne, por que não?
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