Comportamento - Visitantes noturnos
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Celina Alonso Az Maringá 
Fotos: Marcos NegriniOs pais de Victor Hugo gostam do aconchego de dormir em família, mas só até o menino crescerVocês decidem relembrar os tempos de namoro. Colocam aquela música, usam roupas mais sensuais, começam os carinhos e, de repente: Manhê!!!!! Seu filho invade o quarto, quebrando todo o clima. A maioria das crianças acorda assustada ou nem mesmo consegue dormir por causa de bicho-papão, monstros, dragões e outros vilões noturnos. Os bebês buscam o colo quentinho, aconchego. Já os maiores necessitam de um refúgio seguro para se esquecerem da batalha que acabam de travar contra uma legião de inimigos imaginários. E com peninha dos pequenos, muitos casais acabam deixando essa situação ficar cada vez mais frequente até virar um hábito. Muitas crianças já nem sabem mais dormir sozinhas. Outras decidiram que só vão dormir com os pais. Isso é certo ou errado?
Em recente edição da revista Time, o articulista Robert Wright afirma que separar um bebê aflito dos pais na hora de dormir, é uma das invenções modernas e antinaturais da pediatria, e defende uma cama familiar. Alguns pediatras advertem que faz mal à saúde dos pequenos deixá-los gritando na cama deles quando sentem medos noturnos.
A psicóloga Maria da Graça Shima sugere aos pais que dêem muito carinho e segurança, mas na cama da criança
Invasão Para o pediatra Luiz Renato Hapner, não há uma única conduta a ser adotada sempre, mas, dependendo do caso, a situação deve ser analisada. Se a criança estiver passando por um momento de ansiedade, doença, crise pessoal ou até se a família estiver em crise, precisando de um sentimento de unidade, com todos dormindo num mesmo quarto, num regime de exceção, é perfeitamente compreensível, opina o médico. Mas para aquelas crianças que têm seu próprio quarto e cama e que mesmo assim passam a ter um comportamento invasivo, constante, a atitude acaba sendo prejudicial. A criança tem que ocupar seu espaço, faz parte do seu crescimento, assegura o pediatra.
A psicóloga infantil Maria da Graça Shima explica que esses medos noturnos costumam acontecer, principalmente, por volta dos 2 anos de idade, quando as crianças começam a ter medo de ficar sozinhas, medo do escuro, choram e gritam. Ela conta que a maioria das famílias acaba levando os filhos para a cama dos pais como uma maneira de sossegar, mas, o que na verdade acontece é que criam um segundo problema. Depois, eles terão de fazer nova adaptação da criança a sua cama e isso também é complicado, sem contar que prejudica o relacionamento íntimo do casal. Para a psicóloga, o ideal é que um dos pais fique com a criança na cama dela, até ela se acalmar, se for preciso ficar segurando a mão até que ela durma, conte estórias, cante um pouco, mas dentro do seu próprio espaço. Só que existem pais rígidos demais, que deixam os filhos berrando, fecham a porta do quarto e dizem que é importante ter disciplina para não criar filhos tiranos.
Segundo os especialistas, deixar a criança dormir constantemente com os pais é um pouco de comodismo - cansados do trabalho e com sono é mais fácil resolver pelo lado mais simples. Existem casais que não conseguem mais fazer com que o filho se sinta bem na cama dele.


