A volta às aulas despertou uma velha polêmica entre pais, alunos e diretores de colégios: o uso do uniforme escolar. Em Londrina, o tititi ainda gera protestos dos estudantes, já que a maioria não aceita a obrigação. Para os diretores e coordenadores dos colégios, a exigência do uniforme tem como objetivo principal a segurança.
Rita Azevedo, coordenadora de primeiro grau do Colégio Delta, explica que a camiseta identifica o aluno do colégio. ‘‘Recentemente recebemos um telefonema, contando que alguns alunos estavam jogando bola em um campo perto do colégio. Eles estavam de uniforme e ‘matando’ aula; se estivessem sem a camiseta poderiam ter passado despercebidos’’, conta a coordenadora.
Passar despercebidos é algo que os alunos não querem, no território escolar, claro. Para os estudantes, a questão de todos vestirem a mesma roupa é a grande desvantagem. Para contornar o ‘‘probleminha’’, a solução é abusar do estilo. Um toque especial faz a diferença. Mesmo quando o uniforme tem anos de tradição, como a conhecida saia plissada azul-marinho do Colégio Mãe de Deus.
Milton DóriaLook casual para as amigas, Ana Carolina, Maria Luisa, Juçara e Camila, que podem usar jeans e bermudas
Tererê e mechas A garota Regiane Gomes de Oliveira, 11 anos, aluna da 5ª série, diz gostar do uniforme que usa ‘‘desde o pr钒. ‘‘É uma pena que a saia tenha que ser tão comprida’’, diz Regiane. Para compensar o comprimento da saia, a garota investe nos detalhes e acessórios. ‘‘Na 3ª série comecei a pintar as unhas de preto’’, lembra. Hoje, algumas mechas coloridas e dois tererês enfeitam os cabelos da garota, que não abre mão do batom e das botinhas country. E as freiras do colégio não reclamam? ‘‘Um dia eu vim de unhas azuis, e a freira perguntou o que era aquilo. Eu disse que era para combinar com o uniforme’’, conta Regiane.
Para a Irmã Dionéia, diretora do Colégio Mãe de Deus, ‘‘a exigência do uniforme valoriza o ser e não o ter. Não há distinção social, e as alunas aprendem a ser valorizadas pelo que são’’. Quanto aos acessórios diferenciados de alunas como Regiane, a diretora lembra que isto ‘‘ajuda na formação da personalidade’’.
Marcos BorgesJuliana e Carolina escolheram camisetas ‘‘baby look’’, sem esquecer o logotipo do colégio
Alunas do Colégio Estadual Hugo Simas, Juliana Letícia Leite e Carolina Lemes do Nascimento, 13 anos, questionam o uso do uniforme. ‘‘Minha mãe foi até ao Núcleo Estadual, e descobriu que alunos de colégios estaduais podem usar camiseta branca, sem o logotipo’’, conta Juliana. ‘‘Eu vim duas vezes de camiseta branca e não pude entrar’’. A justificativa da diretora, conta Carolina, ‘‘é que um aluno foi atropelado na frente do colégio, e como ele estava com o uniforme, a escola logo foi avisada’’.
O estilo ‘‘baby look’’ adotado pelas garotas tem duas razões. ‘‘A camiseta do primário é mais barata - R$ 1,00, e não é largona como as outras’’, explicam as garotas, que podem combinar com calça bailarina e sandálias. ‘‘O problema é que no calor a gente queria usar bermuda’’.
Duas camisetas No Colégio Delta, a aluna Maria Luisa Hoffmann não enfrenta tal problema já que pode transitar pelos corredores de bermuda. Desde que seja azul, assim como a calça dos colegas. A única rigidez no uniforme do colégio é a camiseta, que mesmo assim tem variedade de modelos. ‘‘Nós podemos usar todas as camisetas dos eventos’’, contam as amigas de Maria Luisa, Juçara Kuster, Ana Carolina Fantin e Camila Santos. As garotas são unânimes em dizer que não gostam do uniforme, mas a opinião das mães, de acordo com as filhas, acaba em empate. ‘‘Minha mãe acha que se não tivesse uniforme, gastaria muita roupa’’, conta Camila. ‘‘Já a minha mãe acharia melhor se não tivesse’’, enfatiza Maria Luisa.
Os garotos também têm seus truques. ‘‘Acho que em três anos, eu só vim uma vez para o colégio sem o bon钒, diz Bruno Lucca, que precisa ‘‘virar o boné para trás quando os professores pedem’’. O amigo Felipe Vieira abusa da esperteza: ‘‘Eu venho com duas camisetas, a do colégio fica sempre por baixo. Se alguém reclama, eu tiro a de cima’’. Sem traumas.q

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