É difícil encontrar pessoas que nunca esqueceram datas importantes como aniversário ou casamento, encontros marcados, objetos de uso pessoal e, às vezes, o próprio número do telefone. São pequenas falhas de memória a que todos estão sujeitos ao longo da vida. No entanto, existem algumas pessoas que são mais esquecidas e precisam conviver com situações nada convencionais. Quem não se lembra do badalado filme Esqueceram de Mim, no qual os pais esquecem um dos filhos em casa ao sair em viagem de férias?
Apesar de a ficção extrapolar a realidade, não é difícil encontrar pessoas distraídas como, por exemplo, o jogador de futebol Raí. Em muitas entrevistas, ele confessou que várias vezes esqueceu a mulher trancada dentro de casa. O médico neurologista Pedro Garcia Lopes classifica esses lapsos de memória como falta de atenção. ‘‘O esquecimento é algo mais complexo, geralmente provocado por doenças como arteriosclerose ou mal de Alzheimer que são comuns em idosos’’. explica o médico.
De acordo com o neurologista, o que faz as pessoas jovens esquecerem compromissos é o excesso de atividades e também a falta de exercícios de memorização. ‘‘Elas costumam pensar em três coisas ao mesmo tempo e acabam não se fixando em nenhuma delas. Além disso, agendas e calculadoras contribuem para que os indivíduos usem cada vez menos a cabeça. É um equívoco dizer que existem pessoas mais esquecidas e outras menos. Na verdade, há pessoas mais atentas às coisas e outras mais desligadas’’.
Dorico da Silva‘‘Para melhorar a memorização é preciso exercitar o cérebro’’, afirma o neurologista Pedro Garcia Lopes
Treinamento O neurologista Pedro Garcia Lopes explica que conseguir memorizar muitos dados é uma questão de treinamento. ‘‘Quem exercita o cérebro tem condições de armazenar mais coisas porque aproveita melhor a capacidade da memória, que é semelhante para todos. Neste caso, a diferença é que algumas pessoas têm mais facilidade para memorizar números, e outras, fatos e imagens. Um ator, por exemplo, que consegue decorar várias páginas de um texto, pode não conseguir guardar um número de telefone. Isso acontece porque ele exercita o cérebro mais para as palavras’’, acrescenta ele.
Outro erro é achar que pessoas que têm boa memória são mais inteligentes. ‘‘Uma coisa não tem nada a ver com outra. Geralmente, os grandes cientistas são os mais desligados’’, diz o médico. Segundo ele, é possível fazer exercícios para melhorar a memorização. ‘‘Existem técnicas de treinamento e relaxamento que ajudam a resolver o problema. Essas ‘falhas de memória’ também estão muito relacionadas ao stress do dia-a-dia’’.
Esse treinamento deve começar na infância, quando os pais percebem que a criança tem dificuldades de memorização. ‘‘Deve-se procurar um profissional para orientar quais as técnicas que devem ser aplicadas. Geralmente, as crianças agitadas apresentam mais problemas de fixação, que podem ser percebidos pelos professores e também pelos pais’’, explica o neurologista.

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