Comportamento - Tempo de viver
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de abril de 1997
Rosângela Vale 
Mário CésarTenho um lazer intercalado, por isso, não sinto o peso do cansaço, diz a psicóloga Devanira DominguesAdministrar as 24 horas que compõem o dia não é das tarefas mais fáceis. Além do trabalho, que consome a maior parte do tempo, há ainda as atividades extras, consideradas fundamentais para a atualização profissional exigida atualmente. Procurando brechas entre os compromissos e driblando o cansaço, cada vez mais pessoas transformam o dia-a-dia numa corrida contra o relógio, uma verdadeira prova de resistência física e psicológica. Algumas, entretanto, conseguem escapar do stress com uma fórmula simples: incluem na agenda horários dedicados exclusivamente a cuidar da auto-estima e a desfrutar da companhia de entes queridos.
Tenho um lazer intercalado, por isso, não sinto o peso do cansaço, diz a psicóloga Devanira Domingues, 49 anos, que todos os dias inicia sua maratona particular bem cedo, às 6 horas. Na verdade, o meu dia começa na noite anterior. Deixo a mesa do café já pronta, com tudo engatilhado. Para se ter uma idéia, deixo até a caixinha de leite aberta, porque de manhã os segundos que eu levaria para abri-la me fazem falta, contabiliza.
No dia seguinte, depois de arrumar a cama dos filhos, Devanira faz caminhadas no Zerão até às 7h30, quando vai para as suas aulas de musculação (às segundas, quartas e sextas) ou então à feira (às terças). Depois vou para a casa, tomo um banho, e às 9h30 já estou no consultório. Fico lá até às 12h30. Chego em casa e a mesa do almoço já está arrumada, mas faço questão de servir. Sinto que assim estou fazendo um agrado aos meus filhos, porque é a única refeição do dia que fazemos em família, conta.
Dorico da SilvaTempo é a gente quem faz. Já me acostumei com esse pique; se eu parar, vou me sentir vazia, observa Jesmini Antunes
À tarde, o expediente vai da 1h45 até às 20 horas, e nos intervalos entre um paciente e outro, aproveita para ler - ela mantém vários livros na mesa de trabalho - e quando consultas são canceladas vai ao cinema. Sempre vou sozinha, porque nunca dá para planejar com antecedência, observa. O detalhe é que Devanira faz tudo a pé. Nunca tive interesse em aprender a dirigir. Adoro caminhar. Sei quanto tempo gasto para ir de um lugar a outro e por isso nunca chego atrasada. Pelo contrário, sempre chego mais cedo, diz.


